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Nata rebeldia

Nasci início de agosto, e para desgosto de muitos,
pois não vim para o meu posto, postular sobre o absurdo.
Um chicote arrisca a língua, e a palavra nunca míngua,
nesta mente de aprendiz...
Pensa e diz!

Se o vizinho incomoda-se, e o padeiro foge a rota,
se o carteiro erra a porta, e a notícia nasce morta,
o que resta ao cidadão, que nem mesmo sente o pão,
na pressa do seu consumo, passa pão, passa mudo,
é a historia sob a ponte, sob o olhar do moribundo,
que tentou inutilmente, erguer seus olhos doentes,
sobre as doenças do Mundo, e o resultado, foi fundo.

Viu criança sem morada, morta pela calçada,
e outras mais inocentes, drogadas de entorpecentes.
Viu Maria e Joaquinha, vendendo-se lá na esquina, meninas...
E a sociedade calada, vendo tudo, e sendo nada,
abaixando seus olhares, fechando a porta dos lares.
Covardes, não vêm a idade, e bem que sinto vontade,
de dizer assim na lata, sem filosofia barata,
que amanhã pela cidade, na suposta sanidade,
pode precisar do outro, e aí? Doutor? Está morto?
Ou vai lembrar da irmandade, e querer fraternidade,
e uma mão na sua extendida. Cuidado!
E se for a mão da mendiga? Vai pegar ou vai morrer?

Aquela que ontem sentada, pedindo dignidade,
foi mais uma vez, vendida. Fratricídio.
Homicídio, das verdades, por tras, das lousas da vida.
Vai passando como um bloco, de mentiras na Avenida,
afinal, é Carnaval, é folia e falsidade,
é o escarro da maldade,nas vestes de um grande destaque,
e manchetes para outros lados,da nudez que é permitida, ganha dólar, que importa,se depois da festa morta,
são as pobres Marias, esquecidas?

Nasci em agosto e o desgosto, rotulou minha existência,
mas bradei na consciência, tudo aquilo que feriu.
Fosse rico, poderoso, fosse até o cavernoso,
portador das fracas Leis.
Disse o verbo, não calei, não verguei na minha porta...
Todo dia é luta nova, e acredito neste passo,
passo o Paço, passo a passo, e passando assim pergunto:

Do que é  feito o novo Mundo, onde nada mais se entende?
Onde o certo é sem conduta, onde o pobre é sem trabalho,
e o político salafrário, nos assalta assim na cara...
E a pergunta que não cala, todo dia, me circunda...
Todo crime tem seu preço, se não há crime perfeito,
o que aconteceu aqui? Criminoso no Planalto?
E pisando o quente asfalto, segue o povo sem sorrir.
Viu aí?

Day Moraes
Enviado por Day Moraes em 10/10/2005
Código do texto: T58265
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Sobre a autora
Day Moraes
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil
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Day Moraes