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O Som do Bardo

Me sinto tão longe
Eu me sinto estranho

Como se tudo parásse
Como se eu não m'encontrásse

Não sei o que me resta
Não sei o que me falta

É tudo tão confuso
Mas é tudo tão belo

As cores rodopiam
Em sonhos que me giram

E eu caio.


E sorrio.

Tudo é uma droga,
Tudo está nela.
Mas essa droga não se vende
Nas esquinas, na viela

Essa droga não se passa

Essa droga minha única
Droga auto-sintética

Agora uso como pena
Para afastar quem tem pena

Agora vejo o que me resta
Além de sonhos, beijos, cores

Agora tudo faz sentido
(Como se um dia fizesse)

Agora que me resta
Só a droga que me enche

Me preencho de alegria
Satisfação, prazer!

Não m'encontro mais em festas
Não me vejo em nenhuma lógica

Minha droga na cabeça
Minha droga psicológica.

Eu a crio, eu a mato
Me vicio, me desfaço

Basta que os olhos não me vejam
Que espelhos não me alcancem

Que o aço não me toque
E qu'ira alguma me corrompa

Meu lamento e epitáfio

Meu incerto documento
Sobre a droga que se faz
Sobre a tal droga que eu faço

Épico sonho e documento
Épico e longo se defaz

E se fecha com um baque

E o baque ecoa longe

E morre no final
Quando o ar engole o som

E quando as paredes me vêem
A rodar pelo quarto

E o fim está chegando

Minha droga acabando

E o chão é tão ébrio
Quanto o homem do espelho

Quanto o cara do espelho

Quanto o menino do espelho

Quanto estou eu mesmo

E de novo acontece:
    -eu caio.
Leff
Enviado por Leff em 15/10/2005
Código do texto: T59901

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Sobre o autor
Leff
Vila Velha - Espírito Santo - Brasil, 26 anos
28 textos (1650 leituras)
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Leff