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HOMICÍDIO CULPOSO

 

Ontem à noite sexta feira foi um fuá danado em Gliceriowood, quase conheci todo o povo de lá, era um mundaréu de gente danado. Tudo isso pra ver o cadáver de um velho que morava no prédio Ouro Fino, em frente ao meu, O Ouro Branco.

O velho morreu sufocado, constatou-se que a gata persa peludona de estimação dormiu sobre o rosto do velho, que também dormia. Encontraram pêlos na boca e nariz.

Credo!Que morte horrível! No apartamento só moravam o velho e a gata. Dizem as más línguas que a gata era a mulher do tiozinho. Ele também não batia bem da cuca, dizia que foi veterano na guerra dos Farrapos. Então era louco mesmo.

Cara, nunca vi tanta gente na minha vida, as mães iam buscar os filhos e maridos para ver o acontecido, podia-se ver pessoas ligando de seus celulares contando sobre a desgraça acontecida. O pior de tudo era ver os vendedores ambulantes venderem seus produtos às pessoas em volta ao carro funerário. Conseguia ouvir da minha janela, apesar do barulho os gritos irritantes do vendedor.

- Água, dois! Refri, dois e cinqüenta, quem vai querer? É pra acabar!

Outro povo que estava no bar ao lado pedia mais cerveja e mandava ver no forró. Tinha até dança na frente. Gente, aquilo era a novidade para aquele povo que ali vivia, acabava sendo uma distração para homens e mulheres, velhos e crianças. Depois de um dia difícil para aquelas pessoas humildes que trabalhavam, sofriam e com certeza todos os dias eram iguais.Aquilo se tornou a atração, uma das novidades da semana.

Às custas da desgraça do pobre velho, que um dia compartilhou as mesmas coisas que aquela gente.

Mais um animalzinho sem dono e uma baixa na população de Gliceriowood.

Na manhã seguinte vi novos moradores no Ouro Fino, eram os novos inquilinos do apartamento 313.

 

 
anderson groppuso
Enviado por anderson groppuso em 24/08/2007
Código do texto: T621528

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Sobre o autor
anderson groppuso
São Paulo - São Paulo - Brasil, 45 anos
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