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Poema das saudades

POEMA DAS SAUDADES

Tenho saudades
da meninice,
daqueles tempos
passados entre um
brinquedo e uma traquinice.
Tenho saudades
da escola,
das manhãs aritméticas
e das tardes
chutando bola.
Tenho saudades
de correr
sem me cansar,
de tropeçar, levantar,
de rir e de chorar.
E também de gargalhar.
Tenho saudades
daquela avó velhinha
que em cada noite
que caía, me benzia,
aconchegava a roupa e
me beijava a carinha.
Tenho saudades
dos meus
tempos remotos
vividos entre carrinhos,
aviões e pilotos.
Tenho saudades da
professora austera,
que ensinava a gramática
com uma postura
severa.
Tenho saudades
da ditadura opressiva e cinzenta,
em contraponto
à democracia fétida, corrupta,
rasca e bolorenta.
Tenho saudades
das férias que então
eram grandes
passadas entre campo e mar,
dos dias prenhes de sol e
das noites a namorar.
Tenho saudades
daqueles meses de Verão
em que a indolência
do tempo se arrastava
até mais não.
Tenho saudades
das estações definidas,
dos Invernos invernosos
dos Outonos melancólicos
e das Primaveras floridas.
Tenho saudades
dos tempos
que eram de paz
e que os humanos de
hoje são de todo
incapazes.
Tenho saudades
de amar numa praia,
deixando perdidos na areia
a camisa, uns sapatos,
uma saia.
Tenho saudades
do pão quente
pendurado na porta da rua
do jornal que chegava à varanda
e da vizinha que entrevia nua.
Tenho saudades
da inocência
e da ingenuidade,
das descobertas dos tempos
próprias de uma idade.

Tenho saudades
de tantas e tantas coisas,
da infância, da adolescência,
até do dia de ontem,
mas sobretudo tenho
saudades de voltar a ter esperança.
António Barroso Cruz
Enviado por António Barroso Cruz em 25/08/2007
Reeditado em 25/08/2007
Código do texto: T623925

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Sobre o autor
António Barroso Cruz
Portugal, 55 anos
105 textos (3015 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/10/17 04:10)
António Barroso Cruz