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É preciso e necessário, pão, poesia, alegria e uma nação coesa

é preciso mas não exato
a música
a canção
a poesia
a magia
o ritual
a religião
a paixão
e a ciência
esse nosso novo credo

é preciso arte
mais mãos juntas
intenções conjuntas
na escola
mais ensino
na rua
na casa
na vida
mais conjunções
a lua como inspiração
ensinando
a mutação
a dança nos céus
as utopias todas
ressuscitar
os mais tolos sonhos
viver

é preciso mas não exato
ir para o mato
para a tribo
entrar na roda
no rito
dar um grito gutural
animal
de vez em quando
é preciso
soltar o bichos
pisar na areia
no chão
olhar as estrelas e sonhar

é preciso mas não exato
resgatar o antigo
louvar o novo
quebrar o ovo
e refazer de novo
se der errado
mudar o enredo
espantar o tédio
acordar cedo
sentir frio na pele
tirar a roupa
a máscara
e mergulhar no mar

é preciso mas não exato
ser tolerante
seguir em frente
mesmo quando tudo parece contra
afronta
descabido
destino traçado
sempre haverá horizonte
soltar a mente
avante
fazer amor
escrever o livro
beber na fonte

é preciso mas não exato
preservar a mata
os bichos
a formiga e o elefante
pensar grande
proteger o pequeno
diluir os venenos
concentrar forças
lavar a louça
economizar água
lavar as mágoas
esquecer a rixa
o dente por dente
abrir o olho
olhar de frente e perdoar

é preciso mas não exato
mudar o que vem dando errado
a retaliação
lição infundada
o banho de sangue
abrir o riso
considerar o todo
a parte
a minoria
combater a mais-valia
o lucro sobre lucro
olhar o louco
o esquecido
o banido
"dar nova chance a paz"

é preciso mas não exato
fazer a luta sã
combater o desperdício
promover o encontro
o povo na praça
na festa
reivindicando
cantando
e querendo mudar o mundo
isso é lenitivo
motivo que move a alma
acalma
e nos faz partícipe
artífice do amanhã

é preciso mas não exato
combater
a ignorância
a arrogância
a ganância
e toda maledicência
muita vez alicerçada dentro de nós
desfazer nós antigos
cortar na pele
abrir janelas
tirar o pó
deixar o sol entrar
lavar os cortes
abolir nossos preconceitos
buscar de novo
a receita da felicidade
lá dentro
no íntimo

é preciso mas não exato
combater o status quo
esses babacas
que se acreditam ricos
enquanto se sabe
já disse baudelaire
que toda riqueza é bem público
e tem que ser revertida
em saúde
cultura
educação
que toda lida precisa
ser recompensada
a lição precisa ser aprendida
a riqueza melhor dividida
é assim
que se faz uma nação

é preciso mas não exato
reencontrar o caminho
no tao
pratica meditação
oração
reza
preservar a crença
sem esquecer da ciência
quebrar tabus
mas manter a tradição
respeitar os povos
os índios
as etnias
promover a alegria
o encontro
a gentileza
buscar os pontos de encontro
o comum
considerar o diferente

é preciso mas não exato
controlar a violência
entender que o mal é lado direito do bem
e que só o equilíbrio
pondera
e o uno é constituído
pelos dois lados da questão
que um é no mínimo dois
noite e dia
homem e mulher
é básico
mas há quem não entenda
contraponha
assanhe o conflito
e daí nasce toda aflição

é preciso mas não exato
o riso
a chuva
o beijo
o arroz e o feijão
brotar do chão
o grão na mesa
café e pão
mas há que ter preparo
terra
salário
governo bom
é preciso
e necessário
fazer logo desse nosso povo
uma nação coesa
sem roubo
falcatrua
mutreta
e tanta miséria
aflição
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 28/08/2007
Reeditado em 05/09/2007
Código do texto: T627326

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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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