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O ESCRIBA BOTA A BOCA NO MUNDO

(Atendendo à consulta de uma profissional revisora de textos para edição)

Aprendi que só com a freqüência a "Oficinações de Criação Literária" o aluno-escriba aprende a aceitar, a conviver com as reformatações, reformulações, reescrituração de textos, enfim...

Nestes estudos em sala de aula o escriba descobre que há regras e cânones formais para a escrituração em prosa e verso.

Mas depende do “professor oficineiro”. Se ele for do tipo que comenta em relação ao texto criado: "sempre tem um chinelo velho para um pé torto", babaus! Foi-se a oportunidade de crescimento do eventual experimentador literário! E há muitos mestres que oficinam com o coração e não com a inteligência munida do necessário preparo técnico.

Isto é coisa de mero diletante, do praticante do diletantismo, principalmente em poesia, coisa de escrevinhador sensitivo, daqueles em que baixa o santo na hora da inspiração e a mão divina escreve o texto.

Quanta vaidade por trás deste conceito! Diviniza-se o autor iniciante que se basta e manda à merda (perdão, mas fico bravo) A TÉCNICA DAS LAVRATURAS INTELECTIVAS! E nisto está incluso o gramatiquês e o internetês, mais modernamente...

A maioria dos criadores iniciantes é mau leitor (quando ainda o é, porque muito se recusam terminantemente a ler, sob o argumento de não vir a sofrer influências) como se conceber que possa escrever algo que preste? Repito o que sempre digo: "Do nada nasce o nada!".

Não é por outra razão que insistimos tanto nas Sessões de Estudos Literários - SELAS, previstas no anteprojeto de estatuto para as unidades das Casas do Poeta Brasileiro - POEBRAS: desejamos que se tornem, no mínimo, escritores SEMI-PROFISSIONAIS.
 
No tocante à extensão do trabalho crítico que o REVISOR pode fazer no texto, vai depender dos ajustes com quem vai pagar a edição.

Se o autor é o "pagante" o que se deve fazer é a COPIDESCAGEM - anglicismo nascido da palavra “copydesk”, o ato de corrigir sobre a mesa, que era feita diretamente nas chapas de impressão quando nasceu a impressão “offset” - e esta, a meu ver, não açambarca alterações de fundo no texto sob exame, meramente as correções de forma. É o que tenho visto por este mundão de Deus, em mais de 30 anos de escrituração e publicações...

No entanto, se a publicação é PAGA PELO EDITOR (público ou particular), se houver regulamento, este tem de definir a qual tipo de revisão se refere. Os editores privados normalmente têm regramentos de praxe, consuetudinários, não escritos.

O que normalmente se faz é a "oficinação pessoal" do revisor com o autor novo ou novato. A presença deste legitima qualquer alteração textual e deve haver um “protocolo de intenções” assinado entre a direção da entidade congregadora de escribas (associações literárias) para a proteção de ambas as partes, que é o caso entre as unidades da POEBRAS e Fundações Culturais de direito público ou privado.

Se o autor não houver passado por oficinações de criação poética - repito - o autor novo ou novato jamais entenderá que venha a ter o texto “mexido”.

É natural que tenha este proceder, porque não tem esclarecimentos sobre tal, tem medo de que lhe roubem o texto e que ele venha a ser publicado por terceiro, “roubando-lhe as idéias”, caracterizando o PLÁGIO.

Também é indício da possessão que acomete o autor novo sobre o seu texto, em prosa e verso. Aliás, este não vê o texto e, sim, o fato (e o entorno deste) que deu origem ao texto, principalmente no “embrião poético” lírico-amoroso, o qual nasce de compulsão emotiva e lida com rala linguagem cifrada, metafórica, véu sobre a palavra intimista, mero confessionário que não chega a se constituir em Poética.

Mas o autor iniciante e mal aquinhoado intelectualmente, por falta de leitura e do entendimento do que é a ARTE POÉTICA, afirma que aquilo é a “sua poesia”.

Há um número considerável de autores que pensam que são pagos altos valores pecuniários a título de direito autoral e não quer compartilhar com ninguém, a não ser depois de publicado o seu texto. Trata-se de mera insegurança e desconhecimento do processo editorial e de que, no Brasil, pouquíssimos autores nacionais recebem direitos autorais por obra publicada.
 
O que se pode esperar de autores em plena provectude ou a ancianidade após os 85 anos, que, mesmo depois de anos a fio de experimentação literária e de várias publicações, percebem 'que não estouraram na mídia' e sua obra não está nas prateleiras das livrarias, ou seja, não vende, o que vale dizer, não houve aceitação pública de sua obra...

Além do mais, a conduta concessiva nos atos da vida é própria dos anciãos, que sempre são cordatos e gostam de ter ouvidos para os seus conselhos e de terem leitores jovens, principalmente mulheres para ouvir os seus textos...

E, plenos de concessividade, voltamos à descompromissada assertiva sem nenhum conteúdo crítico.

– Sempre tem um chinelo velho para um pé torto!

– Do livro CRÍTICA NO RECANTO DAS LETRAS, 2006 /2009.
http://www.recantodasletras.com.br/tutoriais/635871
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 02/09/2007
Reeditado em 10/09/2009
Código do texto: T635871
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 71 anos
2823 textos (765182 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/10/17 11:38)
Joaquim Moncks