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Segundos ligeiros!

Pensar que sou do tempo do cruzeiro.
Da fichinha DDD. Do orelhão vermelho...!
Da viatura-fusca. Miniatura tosca de tortura!
Pensar que eu vivi a ditadura...!
Mas vivi no mole.
Vi sim, e bem, a abertura,
Com a anistia dos algozes
E prisão perpétua à justiça!
Me criei na rua. Na carniça.
Sou do tempo em que se prendia cachorro com lingüiça!
E que sonhar com liberdade era caso de polícia!
Mas vamos mudar de assunto...

Estou ficando mesmo velho.
Não o mesmo. Outro. Um velho cibernético.
Um ancião com Estatuto e muito mais...
Com status de coroa enxuto e com gás.
Mas ainda assim, num mundo extremamente patético.
Não me contratam. E sou experiente...!
Não me consultam. Mas sou muito inteligente...!
Não me respeitam. E aí eu xingo.
Xingo mesmo...!
Mas xingo como antigamente...
Com charme.
O charme que só os fios grisalhos dão à gente.
E por falar em fios... E por falar em gente...
Os filhos da gente, hein?!

Para tudo pedem um tempo!
Tempo pra isso, tempo “pra’quilo”...
Como se fossem Deuses...
Tranqüilos... Donos das horas, dos minutos, dos segundos!
E são. O pior é que são!
São os donos do futuro!
São donos do “presente” que criamos ao longo dos anos.
São os novos proprietários dos nossos velhos planos.
São os nossos bebezinhos...
Que apesar de bem grandinhos, insistimos em ninar...
Graças a Deus!
Pois é sinal que não perdemos ao longo do “velho” tempo,
O maior dos ensinamentos: Que é a arte de amar.
Simplesmente amamos... E, como amamos amar!

Só peço a Deus mais um bilhão de segundos.
Sem pressa, sem desespero...
Serei o último da fila. Sou da turma do “fundão”.
Pois, se os segundos são ligeiros...
Imaginem os primeiros...! O que não são?

Carlos Borges
Enviado por Carlos Borges em 05/09/2007
Código do texto: T639532

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Sobre o autor
Carlos Borges
Pindamonhangaba - São Paulo - Brasil, 49 anos
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