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Às horas ...


Às horas gloriosas voaram-nos pássaros
de seda, na enseada branda de memórias
em chilreios audazes,
em danças de xilofones e contrabaixos...

Às horas impiedosas azularam-se
descaídos sobre boca da morte em penas brandas
de zunidos e ventos, aos ritmos lentos
de violinos cinjos ao toque de dedos corpulentos...

...em acordes infaustos e andamentos magistrais,
tangidos na raiz dos medos,
da madre terra reflorescida,
saíram em borbotões, bichos sangrentos –
negros sapos, lacraus e centopeias -,
às mãos cheias, incensados
ao sabor dos ácaros, fungos e bolores,
na recidiva de que se cobriram os pastos,
nas cores da tarde em que a dignidade ferida
crucificou margaridas na cera das nossas asas ...

... na hora demoníaca de póstumas danças.
Mel de Carvalho
Enviado por Mel de Carvalho em 07/09/2007
Código do texto: T642520

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Sobre a autora
Mel de Carvalho
Portugal, 56 anos
129 textos (4555 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/08/17 22:57)
Mel de Carvalho