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Renúncia

Qual o maior sacrifício que alguém pode fazer por amor?
A morte?
Morrer por amor é mesmo o maior gesto de um amante?
Seriam Romeu e Julieta os signatários da atitude de amor maior?

Não!
Que me desculpem os mais incautos,
Não vivi muito, e muito menos já aprendi da vida o bastante,
Mas, com certeza posso dizer,
Não!

O maior gesto de amor que alguém pode experimentar não é morrer por amor,
É viver por amor, mas viver simplesmente não, por que aí seria fácil,
É renunciar à possibilidade de amar, mesmo amando ardentemente,
É abrir mão da própria felicidade, em prol de uma possibilidade de felicidade do outro.

Morrer simplesmente é fácil, por que a morte é o fim de tudo,
Com ela o ciclo se encerra,
Mas renunciar é morrer todo dia, todo instante,
Pra que no dia seguinte se possa renascer, na certeza de que ao fim do dia se estará morto Novamente.

Renunciar é pensar, é querer, é sonhar,
Mas fingir que não se pensa, que não se quer, que não se sonha,
É tentar insistentemente ser e parecer ser uma coisa,
É convencer a todos,
Mas não convencer a quem mais importa,
A si mesmo.

Renunciar é parecer vivo,
Pra que à noite, na solidão de si mesmo,
Se possa morrer novamente.

Renunciar é tentar fugir de si mesmo,
Mas como?
Se no fim se descobre, que onde quer que se vá, sempre se estará junto de si mesmo.

E o pior, com a renúncia o amor continua,
Mas, a possilibidade de vivê-lo não.

Pode algo doer mais que isso?
Marlon Oliveira
Enviado por Marlon Oliveira em 10/09/2007
Código do texto: T646673

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Sobre o autor
Marlon Oliveira
Imperatriz - Maranhão - Brasil, 44 anos
23 textos (1256 leituras)
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Marlon Oliveira