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Poentes e Auroras

Eu sou noite
e ele, dia.
Ele, luz cegante, refulgente,
não sabe, não entende
o grito emudecido
de uma lua eclipsada.
E eu já me sinto tão cansada
de ser noite e de ser nada
e de tanto não me ser...
desse encontro permanente,
sem me saber...

Ó Deus,
suspende os poentes
e as auroras!
Dá-me um tempo
pra costurar os véus
dessa noite esfarrapada,
em que as estrelas
já não sabem mais que brilham
e já nem conseguem crer
que são sóis e que são belas.

Suspende, ó Deus,
os poentes
e as auroras!
E dá-me espaço
entre as feridas que gangrenam
e não sentem mais que doem,
e já não sabem acreditar
que existe cura.

Suspende os poentes
e as auroras!
Ó Deus,
dá-me um tempo de silêncio
e um espaço a contemplar.

Mas se não podes cessar
o movimento da esfera
e se as estrelas são sonhos
irreais, inalcançáveis,
cega-me os olhos!
Anestesia-me a alma!
pra que eu não veja
a imensidão deste universo
e não sinta a dor de estar assim
limitada
a este espaço, a este tempo,
a esta órbita,
sem saber se é assim mesmo
e se é só isto... mais nada
Rosana Macedo Pontes
Enviado por Rosana Macedo Pontes em 12/09/2007
Reeditado em 21/09/2008
Código do texto: T648720

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Sobre a autora
Rosana Macedo Pontes
Sete Lagoas - Minas Gerais - Brasil, 62 anos
35 textos (1116 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/08/17 19:21)