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Adolescente

                 D. Zoráide era uma senhora simpática e nunca se metera na vida amorosa de sua filha. Quando Rebeca, com 15 anos, começou a namorar Carlinhos o pai até pediu para a esposa ficar de olho no namoro. Estava preocupado. Se fosse outro ficaria feliz por Carlinhos ser um menino rico. Mas sua preocupação era justamente essa: Carlinhos era tão rico que virara filhinho de papai, ou vagabundo mesmo.
               Zoráide dizia que seu marido estava paranóico e nada mais saudável do que um namoro na adolescência.
              E foi realmente um namoro de adolescente. Até que Rebeca viu em Carlinhos um grande amigo e não mais um namorado. Aos 17 anos Rebeca, moça bonita e educada, conhece Paulo rapaz bonito e educado. Apaixonaram-se e começou outro namoro de adolescente.
O pai dessa vez dizia que até ia com a cara do rapaz, mas começou a reclamar pois era ano de vestibular e ela deveria pensar em seu futuro. A princípio D. Zoráide  ficou quieta mas logo depois de um mês começou a falar também. Disse que ele não era rapaz para ela e concordava com o marido quanto ao vestibular.
Rebeca sentia-se por muitas vezes só e pressionada. Pensava muito em terminar o namoro mas tinha certeza do sentimento verdadeiro de ambos. Quanto mais tentavam separá-los mais juntos ficavam.
Toda a família começava a perguntá-la sobre vestibular e agora as tias também falavam-lhe que ela precisava de mais concentração e isso a fazia se sentir mais só. Sabia que seu namorado era seu único porto seguro. E era nos ombros dele que Rebeca chorava e se recolhia quando estava agoniada. Nunca detestara tanto seus tios e tias, seus pais e seus avós.
Chegou o dia da festa de casamento de uma prima sua que ela tinha muita consideração. Pediu a Paulo que ele a acompanhasse.
Os jovens estavam sentados a uma mesa perto dos mais velhos. A festa estava muito animada e todos estavam muito felizes. Paulo conheceu André, um primo bastante próximo da sua namorada e se deram muito bem com o whisky. O copo de Paulo acabou e ele pediu ao garçom que lhe trouxesse outro. O garçom trouxe rapidamente o copo.
Quando Paulo deu o seu primeiro gole caiu duro no chão instantaneamente. Morreu na hora.
Seu enterro aconteceu no dia seguinte e Rebeca quase não teve condições de ir mas foi se confortar no colo da doce família do falecido namorado. Seu pai teve coisa importante no trabalho, mas mandara seus pêsames. Chorou muito com a mãe dele e podia ver lágrimas descerem do olho de D. Zoráide.
           Rebeca não acreditou quando viu a figura de Carlinhos se aproximando dela e tomando-a pelos braços. Ainda tinha muito carinho por ele e gostava de ter sua amizade por perto. Suspirou e encostou a cabeça nos peitos dele. Sentiu um conforto e um alívio fora do comum. Carlinhos a levou até o carro e foram para a casa dela juntos.
           D. Zoráide saiu sozinha do enterro e andou apressadamente até seu carro. Foi logo afastando o banco e olhando o que havia ali embaixo. Pegou uma pasta preta sem poder conter o largo sorriso que nascia na sua face. Havia uma etiqueta branca presa na pasta e tinha escrito: "Obrigado minha sogra. Prometo que seremos felizes para sempre." Abriu a maleta rapidamente e lá estavam os 200 mil dólares.
Malluco Beleza
Enviado por Malluco Beleza em 16/09/2007
Reeditado em 16/09/2007
Código do texto: T654715

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Sobre o autor
Malluco Beleza
Salvador - Bahia - Brasil, 31 anos
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Malluco Beleza