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João


Na insegurança de um fútil acidente de percurso
assalto sempre injustificado
fugiu a dignidade de uma vida sem história
sem tamanho, sem maldade
desgosto de perigosa banalidade
matar, porque sim
para roubar
porque sim
valerá a pena perdoar?

João és apenas um exemplo
da indiferença
da complacência
da miséria
da ausência de protecção
da vida sem sentido
que nos impingem

A culpa não vai morrer solteira
mas os criminosos
terão direito ao perdão
a justiça fica por fazer?
E querem os impostos em dia
dias bonitos de negras sensações
futilidade nos noticiários

João que vais ser esquecido
por mim é que não
tu e os outros meninos de dor
que nunca chegaram a viver
a completar um sonho
uma vida de mínimo prazer
que não brincaste
que não voaste pelo mundo cruel
que te levou sem dó nem piedade

João que representas todos os meninos
bomba, soldados ou meras crianças
vitimas de um mundo sem perdão
vamos lembrar esta ocasião
e lutar no mundo inteiro pela união
dos corações indiferentes
e viver para fazer
da vida dos meninos que ficaram
uma sublime constatação de amor

Malditos criminosos sem perdão
malditos governantes sem memória
mundo sem escrúpulos
vai ficar sempre tudo na mesma?

*este texto foi feito na altura da morte do menino João Hélio Fernandes, mas não é apenas homenagem para ele, é para todos os meninos e meninas do mundo que nunca chegam a saber o que é viver!
Manuel Marques
Enviado por Manuel Marques em 18/09/2007
Reeditado em 19/09/2007
Código do texto: T658306

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Sobre o autor
Manuel Marques
Espanha, 45 anos
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Manuel Marques