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Barraco Velho

Eu morava num barraco velho
que pelas águas foi arrastado...
Era só um barraco velho,
mas era também um lar!

Vim de muito longe
em São Paulo tentar
viver a vida que não tenho,
e vi a chuva levar
o pouco que consegui conquistar.

Eu sei, é só um barraco velho;
todos vão dizer, e quererão
levar-me para lugar qualquer.
Quem não tem aonde ir,
certamente aceitará...
mas, por bem do acaso,
sabem vossas senhorias
o que é o descaso?

Quantos lares indo-se na enxurrada
e quantos sorrisos apagando-se
numa terra tão bela e abstrata,
onde predominam magnatas!

Perda de tempo é dizer
coisa que todo mundo sabe:
vim para cá fugindo à seca
e hoje, na tempestade,
meu coração amaldiçoa
a grande bênção da vida.

Mas para quê falar,
se somente gente simples vê!
Cansa dar suor e sangue
para fazer esta cidade já tão grande
crescer e crescer ainda mais e
em troca, dores e sonhos molhados receber.

Ah! eu amava aquele velho barraco...
              Tão humilde, mas cheio de felicidade
que se enterrou na água...
Quem sabe ela que estava triste e magoada,
agora se contamine da minha alegria
                                 que se foi, por ela embalada...
Eliane Santana
Enviado por Eliane Santana em 21/09/2007
Código do texto: T662854

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Sobre a autora
Eliane Santana
São Paulo - São Paulo - Brasil, 41 anos
69 textos (2859 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/10/17 16:00)
Eliane Santana