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Embriagado

Era um belo dia ensolarado, o sol estava tão claro que os seus raios refletiam luz e calor sobre a janela, foi então que Belinha acordou com o barulho dos pintinhos, galinhas, passarinhos e principalmente com a claridade e calor do sol.

Belinha era bem pequenininha, muito meiguinha e tinha muitas amiguinhas. Apesar do seu jeito tímido e frágil, era muito afoita e forte. Adorava passar suas férias na fazenda, dizia para todos seus amiguinhos da cidade:

- Lá que é bom, tem café torrado, leite da vaca, laranja do pé, ovo quentinho tirado na hora da galinha, e também pintinhos, pintinhos de todas as cores.

Belinha adorava passear pelos campos, pular cerca, subir nas árvores e também ficar horas e horas em frente ao galinheiro, observando os pintinhos sempre atrás das galinhas. Ela ficava pensando em levá-los todos para casa, pois em uma caixa de sapatos poderiam estar mais protegidos.

Então, Belinha ia todos os dias pela manhã dar rações, água, chegava até fazer caretas, contar histórias, fazer promessas. Foi em uma dessas visitas que Belinha se apaixonou por um pintinho de cor cinza, não tinha nada de especial, mas o seu olhar a embriagava.

Ela se sentia bêbada, era essa a sensação quando olhava para ele, então resolveu apelidá-lo de “o embriagado”. Era embriagado dali, embriagado daqui, e assim os dois se tornaram muito próximos.

Um belo dia, Belinha acordou assustada, sonhou que o embriagado havia morrido. Em seu sonho, uma bruxa má foi até o seu galinheiro e o enfeitiçou com seu olhar.

Belinha foi correndo até o galinheiro, e chegando lá o embriagado já veio ao seu encontro, e para seu alívio ele estava mais encantador que nunca. Então, ficou ali horas e horas olhando fixo para ele. Foi então que veio uma imensa vontade de pegá-lo e tirá-lo correndo dali.

E assim fez, abriu rapidamente a janelinha, mas no momento em que se viram e chegaram mais próximo ela ficou meio tonta, caindo desmaiada para trás. E quando acordou, e olhou para o chão, o embriagado estava ali, parado, olhando fixo para ela, mas algo muito grave havia acontecido. Embriagado estava morrendo, foi uma queda fulminante, Belinha já não podia fazer mais nada. Rezou, gritou, chorou, implorou, até acendeu uma vela, mas não adiantou.

Belinha ficou transtornada e inconformada, sentia-se culpada pela sua morte, pois se tivesse deixado seu egoísmo de lado, não teria pensado em tirá-lo de lá. Mas agora é tarde, colocou embriagado de volta ao galinheiro, mas sem que ninguém percebesse, e foi embora.

Ouviu comentários sobre o pintinho que tinha morrido, e todos achavam muito estranho a sua morte, pois não sabiam a causa e nem havia suspeitas. Ela só ouvia as pessoas falarem, mas não se manifestava, estava embriagada.

Ao se deitar, ficou pensando no embriagado, lembrou do sonho que tivera e concluiu:

- Serei uma eterna embriagada, e me tornarei para sempre uma bruxa malvada.

 
Fernanda Alvarenga da Cunha
Enviado por Fernanda Alvarenga da Cunha em 21/09/2007
Código do texto: T662914
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Sobre a autora
Fernanda Alvarenga da Cunha
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil
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