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Algarismos ordinários

Homem tão seco homem,
Tão engenheiro homem de interiores solos trincados,
Algarismastes tuas vastas auroras
Equacionastes escandalosos sóis poentes
Os reduzistes a ponteiros lineares.

Tão numérico homem,
onde foi que te (sub)traístes?
Se errastes nas tuas contas
Não deverias suicidar-se.

Homem tão finito em si
Em ser
De que maneira fantástica medirás
A infinitude?

Entrega-te, homem
À fragilidade que é o engano
do simples desprezar a resistência do ar.
Aceita, querido
Que tão exata quanto a vida - explosiva -
e o ódio mortal dos homens
É a fraqueza de tuas mãos somada à de teus baús corroídos
Que tentam conter e conter o insondável.

Homem de infinda estiagem calculada,
Desprezasses tuas resistências
Te surpreenderias com a exatidão da gravidade,
- da força gravitacional -
Que há na órbita dos corações,
Que há no giro das almas que ardem,
como esferas sobre seus pólos.






Fernanda Lobo
Enviado por Fernanda Lobo em 24/09/2007
Reeditado em 24/09/2007
Código do texto: T666543

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Sobre a autora
Fernanda Lobo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Fernanda Lobo