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TÔ DOIDIA PUR UM AMÔ

Naquela oiada digera,de cabra macho raçudo,
pedindo a eu um abraço, numa piscada safada,
daquelas que quaje fala, meu coração se inquietô,
quaje arriô a seus pé, resurtando uma paixão
que me grudô a vancê.

Meu corpo se arrepiô e eu num pude nem drumi,
pensano inté nos abraço, no gôsto do bêjo seu.
Virô só uma gimura, uma sôdade docê,
de caí intera in seus braço e mais seu fôgo acendê.

Antosse pulei a jinela pra vê se via vancê,
falá dessa coisa doidia, que machuca e faz duê.
Quero bejá seu cangote, agarrá seu peito nu,
cherá seu corpo cansado, suado de labutá.
Pra eu vai sê o prefume, que eu nunca pude comprá,
pois o amô é de graça, mas difici de arranjá.

Dispois nóis junta os corpo, no meio do capinzá,
e de tanta emoção nóis nem vai pudê falá.
Vai sê tanto arôxo bão, tanto bêjo e tanto abraço,
que nessa esfregação até a lua gaiata,
que tá lá prá alumiá, vai de nóis dois invejá.



Genaura Tormin
Enviado por Genaura Tormin em 04/11/2005
Código do texto: T67231
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Genaura Tormin
Goiânia - Goiás - Brasil, 71 anos
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