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APOLOGIA À VIOLA

Eita Viola Caipira
Que eu trago junto do peito!
Teu som parece oração
Que põe meu rumo dereito.
É bem caipira, sim sinhô.
Vô anté falá a respeito.
Só ansim pro sinhô sabê
A razão desse meu jeito.

Caipira porque vem da terra.
Da terra que deu a madera,
Madera que virô bojo,
Que tem cintura facera,
Tem braço, tem mão, que nem gente,
E vibra nas moda ranchera.
E por falá em facerice,
Em toda roda é a premera.

A terra tomém deu o ferro,
O ferro que virô aço.
E o aço, virado nas corda,
Vai espichado no braço
Que nem cabelo alisado
E teso que nem um laço
Que ela arremete na gente,
Prende e leva no compasso.

A viola é a minha vida,
Vai ouvino, eu vô contá.
Quando as corda da viola
Da minha vida arrebentá
E tivé chegado a hora
De cum Deus eu me acertá,
Na derradera viaje
Quero ouví viola tocá.

Ah! pois, deve de sê triste
Escuitá o povo chorá.
Violero vira é estrela,
Mais uma no céu a briá.
E de noite, eu, lá no arto,
Quando uma viola tocá,
Ói pro céu que o sinhô vai vê
O meu brilho aumentá.
Júlio Marques
Enviado por Júlio Marques em 28/09/2007
Reeditado em 10/11/2015
Código do texto: T672789
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Júlio Marques
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 63 anos
88 textos (10998 leituras)
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Júlio Marques