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MENDIGO


                                      MENDIGO


Esquina, local de trabalho do mendigo
Que ora pede, ora…ora
Aguarda sentado em banco antigo,
Lhe façam chegar sustento que vida melhora.

Vida difícil, a do mendigo. Vida rejeitada,
Leva o desafortunado companheiro
Que ao sol, frio, chuva ou geada,
Aguarda esmola, quiçá, algum dinheiro.

Da sociedade não guardará boa memória,
Talvez nunca o consigas perceber,
A culpa não será do fado ou da história,
Mas daqueles que o fazem sofrer.

Em cada igual, há um predador
Que sai à rua de noite ou de dia,
Para ti, guarda sofrimento e dor,
Para ele abastança e folia.

Como casa, deram-te um vão da ponte,
Como cama, uma esteira ou um cartão,
De comida; dos outros o sobrante…
Para companheiro e amigo: um cão.

Nos teus olhos mortiços, quanta humildade.
Na tua cabeça, quanta revolta e resignação,
Na tua face evidente insanidade
E por ti nenhuma compaixão.

Sociedade do fausto e do esquecimento
Que semeias dor, injustiça e amargura,
Não tens um pingo de vergonha ou lamento
E não revelas qualquer sinal de ternura.

Sociedade. Abjecta sociedade sem mágoa,
Escória de deveres e valores, qual fera,
Escreves o bem na água
E gravas o mal na pedra.
Povo Lusitano
Enviado por Povo Lusitano em 03/10/2007
Código do texto: T679033

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Sobre o autor
Povo Lusitano
Portugal, 61 anos
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Povo Lusitano