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EU NÃO SEI...

Minha vida é um incessante caminhar,

fuga infinda de fantasmas de passado

que não me querem deixar seguir em paz.

Sei que trago em minhas mãos o poder

de tudo modificar, mas... Oh, Deus, como

tudo é tão difícil, quantos obstáculos que

me impedem de me reencontrar!

Pudesse eu, simplesmente virar as costas,

ír - me sem importar - me com o que fica

para trás...  Mas não posso... Há grilhões fortes 
a me  prenderem...

Um castelo de sonhos foi erigido, e mesmo que,

como as nuvens, ele tenha se desfeito, restam ainda

as lembranças de fatos sólidos, em seu alicerce.

Minha fuga não tem fim e estou presa dentro

de mim... Sou minha própria escrava, minha

algoz e minha carrasca...


Grito por socorro, mas ninguém me ouve a voz

porque me internei em denso silêncio, grades

invisíveis que me cercam, muralhas inexpugnáveis

que ninguém pode galgar, para alcançar - me...


Amores... Alguém fosse ler o livro das minhas

ilusões, e de seus olhos brotariam lágrimas

ardentes a molharem suas páginas pungentes,

tanto amei, tanto acreditei e me entreguei a este

sentimento... E jamais fui amada...

Conheci todos os ardís, as armadilhas contidas

em beijos melífluos e palavras pronunciadas,

sussurradas em noites encantadas que me

faziam sentir que eu era única...


Mentiras com cobertura de ternura que

eu avidamente sorvia, acreditando ser a mulher

mais feliz do mundo, que era para sempre, sem

pensar que "para sempre" só existe nos contos

de fadas, e mesmo que fosse o que eu acreditava

estar vivendo, tudo terminava sem um  final feliz...


Hoje meu coração é como um sótão que apenas

guarda velhas lembranças empoeiradas, cobertas

de teias de aranhas que por ali passeiam, porque

a esperança, brisa fresca e perfumada que antes

o invadia e o deixava prenhe de sonhos e ilusões,

renovando - o e revitalizando - me no seu pulsar

límpido e tantas vezes acelerado por emoções

felizes, jaz encarcerada em algum lugar qualquer,

sem poder, também, alcançar - me... E então

pergunto - me:

Quanto tempo se consegue viver sem ilusões,

sonhos e esperanças?

Eu não sei...

Arianne Evans
Enviado por Arianne Evans em 08/11/2005
Código do texto: T68897
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Sobre a autora
Arianne Evans
Curitiba - Paraná - Brasil, 66 anos
695 textos (57320 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 17:50)
Arianne Evans