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      O dia começou estranho, uma sensação esquisita, mas sem explicação lógica. Tive até mesmo dificuldade em levantar da cama, o que não é comum.
          Cheguei ao escritório correndo,  visto que eu  tinha um compromisso as 09:30. O ar estava seco demais. Ainda não eram 09;30 e a temperatura já fustigava as janelas e o calor foi aumentando. Tudo corria bem, mas uma sensação desagradável ainda me incomodava. O corpo todo começou a doer, e já imaginei meu fim de semana prolongado com uma gripe daquelas. 

          Fomos todos almoçar juntos e percebi que nem mesmo fome eu sentia. Todos pegaram muito mais comida que eu, e mesmo assim ainda deixei  um pouco no prato.

          Voltamos e tentei escrever algo, mas não gostei. De qualquer forma acabei colocando o texto no blog. As 4:30 da tarde decidi ir embora e comprar um presente para o meu sobrinho. Pensei, vou ao shopping e lá mato esta questão. Cheguei lá  e decidi fazer algo diferente, pois ainda era cedo: uma loteria cinematográfica.

         Fui ao caixa do cinema e disse a atendente: " Por favor gostaria de uma entrada, para o próximo filme, mas não me diga qual é, somente o horário dele". Ela me olhou como se tivesse pedido algo absurdo. É só você sair do script, do normal e as pessoas te acham louco , diferente. Que mesmice mais sem graça.  Ela prontamente emite um bilhete e diz:
"Treze reais, senhor. O filme começa as 17:20." Pago a entrada e olho para o relógio. Eu ainda tinha 20 minutos.

       Comprei pipoca e suco e esperei até o horário anunciado pela mocinha do caixa. Naqueles vinte minutos consumi quase metade da pipoca e a sensação ruim ainda continuava. As lembraças do sequestro ainda estavam me atormentando, e isso me deixava apreensivo, afinal  passaram-se exatamente  7 dias desde o pesadelo do meu curto cativeiro com o diabo do bandido.

      Entrego meu ingresso e o rapaz diz: " Sala três, no fundo do corredor". Ainda não sabia que surpresa me aguardava. Torcia para que não fosse o " Tropa de Elite". Não cairia muito bem para o momento...muito tiro, bandido...sei lá.

     Chego em frente a sala 3: ' RESIDENT EVIL" . Pensei: será que havia filme pior em cartaz? Pensei de novo: tudo bem,  o filme é com a tal da Jojovich, que viche maria é bonita feito o cão. Decidi que só ela não bastaria. E agora? Paguei pelo ingresso e vou voltar para casa sem cumprir minha meta? De forma alguma, vamos achar uma solução.

       Na sala ao lado de RESIDENT EVIL (mais sanguinolento que a baixada fluminense) estava em cartaz: O HOMEM QUE DESAFIOU O DIABO,  com Marcos Palmeira, como o desafiador. Vi que o filme brasileiro era minha única opção para aquele momento e quem sabe o filme poderia me agradar.  Entrei e me sentei logo na frente, para em caso de emergência,  sair logo de lá ir para casa. O filme ia bem, a história engraçada, uma pornochanchada do século XXI com mais recursos tecnológicos que as da década de 50. Sexo, bebidas, mulher safada e pó..muito pó, não o branco mas a poeira do chão seco do nordeste de nosso país. Era tanta poeira que aposto que teve gente coçando o nariz pelo efeito do filme.
        Passaram-se entre 20 e 30 minutos do início do filme, quando o momento tão esperado do filme chega. O diabo fala com o desafiante,  sem dar as caras ainda, somente uma voz carregada e cheia de riso. Após um leve embate verbal entre belzebu e o Ojuara (nome de Marcos Palmeira), o distinto se apresenta, primeiro em partes ( um braço, uma perna, enfim um diabo esquartejado aparece).       
         
          Pelo amor e saúde de minhas filhas, juro,  quase caí da cadeira. Gelei como um iceberg. A boca secou. Entendi porque todo o dia estive me sentindo estranho. Foi uma premonição sem morte!!!, O diabo do filme (o ator) era a cara escarrada do meliante que me pegou semana passada e quase me fez urinar nas calças. A única diferença eram os chifres. O resto era ele, ainda mais quando ele aparece de perfil. Os olhos fundos eram idênticos, sem vida, sem nenhum sentimento mais nobre.

       Encarar o capeta por duas vezes numa semana foi demais!!! E agora na forma digital!!?? Vocês podem achar estranho, mas percebi que hoje não era dia para cinema, algo tão etéreo, tal fantasioso. Não tive dúvida, saí da sala e fui embora. Haveria alguma mensagem implícita para mim? Será que  o universo tentou me dizer algo? Sei lá, mas foi para lá de estranho o ocorrido.
       
     Portanto, se você estiver andando na região de Vila Zelina e vir alguém que é a cara do capeta do filme, corra,  pois esse que você está vendo é de carne e osso e fede tanto quanto o original.

      Quer um retrato falado do "cabra", pois veja o filme, afinal a história parecia ser bastante divertida, apesar de tudo.

JOSÉ MIGUEL DELGADO
Enviado por JOSÉ MIGUEL DELGADO em 11/10/2007
Reeditado em 11/10/2007
Código do texto: T690444

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Sobre o autor
JOSÉ MIGUEL DELGADO
São Caetano do Sul - São Paulo - Brasil, 56 anos
224 textos (35347 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/10/17 01:27)
JOSÉ MIGUEL DELGADO