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Rua Da Amargura Sem Número

Aquela garota ainda mora
Na rua da amargura sem número
Eu já estive lá e perdi a hora
Na solidão gelada dos seus muros

Nessa rua, o vento espreita a morte
Árvores retorcidas sombreiam a sorte
Suas casas cinzentas espelham o céu
De azul plúmbeo de rasgado negro véu

Ela paira sozinha na beirada da janela
Espiando a noite soturna e vazia
E meu olhar sempre se fixa ao dela
Quando me perco em melancolia

Eu passo pela rua da amargura
Sem número, sem luz, sem alegria
E vejo aquela garota me vigiar
Com lágrimas de angústia, noite e dia

Eu ouço os gemidos das pessoas
Que se lamentam ao ouvido da garota
Como fantasmas, pois que são almas
Perambulando entre cães e gatos, loucas

Eu desejo aquela garota perdida
Ela deseja se perder na minha erma vida
Ou em algum lugar perto da esquina
Lúgubre como uma sombra de perfídia

A rua é longa e parece não ter fim
A garota é linda e parece gostar de mim
Mas é quase impossível fugir da sina
Dessa via, dessa desolação quase infinita

Sempre vou encontrar aquela garota
Na solidão da rua da amargura sem número
Um encontro de fuga diante da vida
A aceitação do azedume e a negação da saída
Paulo Antonio Barreto Junior
Enviado por Paulo Antonio Barreto Junior em 16/10/2007
Código do texto: T696377
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Sobre o autor
Paulo Antonio Barreto Junior
Salvador - Bahia - Brasil, 46 anos
417 textos (6204 leituras)
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