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O "brasilsinho" DOS OUTROS

O chute pisado, atravessando cansado o destino da mira,
a força vazada, o olho sugando o projétil que gira.

O campo calado, fitando o sorriso de um torcedor doente,
a mídia contente, furando a leitura de um público ausente.

O time jogando, a massa berrando e o filme nao mente,
Um país vencedor, com a mata que sofre e a criança que sente.

O morro tem dono, tem lugar expremido com um rádio de pilha,
nesta altura da vida, a vitória termina numa bala perdida.

Nao tem marinheiro, nem artilheiro que nao saiba atirar,
na escola primária tem merenda faltando e professor pra ganhar.

É um muro sem bordas com tijolos furados e arte banida,
o futuro sem nome, começa de dia, á tarde se esconde numa noite sofrida.

Sinto o chão balançar quando o barraco suspende num tremor de guerra,

e o canhao do bandido em favelas tomadas vitrificando as alegrias.

Neste mapa pixado, com pulgas de gente aclamando um Brasil,
mas os donos nao deixam, a rinha começa neste imenso covil.

Tem cão pitbul, tem galo indio e canário da terra,
tem mulher parideira e tem menina do funk querendo ser freira.

Mas o sol de "Portuga" querendo brilhar nestas carroagens,
é um povo que é filho, voltando do trabalho em terra estrangeira.
Gueko
Enviado por Gueko em 18/10/2007
Reeditado em 08/01/2009
Código do texto: T699193

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Sobre o autor
Gueko
São Mateus - Espírito Santo - Brasil, 51 anos
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