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Caixinha de surpresa

O ser humano tem comportamentos que surpreende a si mesmo, a sua própria espécie. De modo geral, nossos atos, gestos e ações são involuntários a arte de ser e viver.
Quando estamos alegres, por exemplo, tudo muda: o tom de voz, a euforia das palavras, um sorriso largo no rosto, dentes a mostra, um brilho no olhar. A vida acena um “oi” pro nosso corpo e alma e por alguns momentos somos uma somatória de felicidade!
É incrível observar o comportamento das pessoas, não que seja um defeito tal observação, mais no fundo no fundo, somos um pouco psicólogos de nós mesmos em reconhecer características alheias que nos levam a um caminho de auto ajuda ou ombro amigo.
Em algumas passagens, assim de relance, quase que sem querer, a análise se inicia. Sentada assim de longe, uma pessoa num banco qualquer, ou cadeira... vê-se um turbilhão de pessoas passando de lá pra cá e a pesquisa se inicia. Assim de bobeira tendo que esperar por algo ou algum horário...
De passos apressados, olhar fixo no chão, casual se vestia um moço de lá seus trinta e cinco anos de idade, ia atravessando uma rua. Tenso... com os pensamentos fixos tirava-lhe todo o brilho da felicidade. Uma preocupação imensa invadia sua áurea, nem bem abriu o farol ele passou tenso e virou a esquina. E sumiu com aquela sombra pesada. Mais em compensação um carro abria o vidro e deixava sair um paz tremenda do seu interior. Algumas crianças com uniformes escolares se agitavam no banco de traz do mesmo. Uma mulher loura de óculos de sol, as vezes jogava um olhar pelo retrovisor como que manipulando todos os movimentos dos garotos atrás de si. Até que deram-lhe passagem no transito, e ela seguiu se caminho.
O mais interessante de tudo, foi quando numa tarde qualquer, num lugar ali mesmo, uma figurinha de meia idade, passou ali por mim. Pareceu um imã a sua presença. De inicio ficou surpresa com a minha presença, observou um pouco, e sem nenhuma discrição seguiu até um banco mais próximo. Ficou ali puxando o meu olhar, so por estar próximo do meu banco, e sem controle, arrancou-me o Dr. Fróes do meu subconsciente e botou-lhe a trabalhar num consultório especial. Tinha que ser rápido e discreto. Sem dar muita bandeira. Mais ali fiquei a imaginar essa pessoa. Aqueles comportamentos....
Ficou ali um pouco, acho que a procura de alguém ou esperando alguém too...sei lá. As vezes me olhava, pensava um pouco. Até que se aproximou um amigo e ficaram ali de conversa. Depois de algum tempo se levantou e saiu em destino ao seu destino. Mais o estranho foi sua característica que me intrigou ... Uma pessoa de estatura baixa, simples e bondosa logo contatou-se, mais tinha lá uma postura não muito esguia e uma marca de óculos no rosto.
Como eu não tinha mais nada pra fazer, e o tempo ainda era longo, deixei o Dr. Fróes investigar aquela postura. Desvendar um ar de “tem coisa ai analise...”
Geralmente quando alguém tem uma coluna não muito reta, é sinal de má postura por diversas coisas. Certo? Correto. Mais tinha ali um outro ponto intrigante. Vistas cansadas pedem óculos..Certo? Certo. Mais a longo prazo ou a pesadas lentes vão marcar. Ou se em uso continuo. Certo? Exato.
Na somatória dos fatos, a imaginação fluiu. Coluna curvada, levemente, marca de óculos acentuada, isso era sinal de muito tempo sentada e de má postura... Se o uso dos óculos eram contínuos a coisa começava a ficar interessante. Muita leitura, muita escrita, muitas analises imbutidas naquela pessoa, na mente, ta ficando bom...
As pessoas quando são estudiosas de alguma coisa, involuntariamente são consumidores de fatos, detalhes, avidez de conhecimento. No mundo de hoje, o computador e a internet são os reais e verdadeiros amigos do Homem. Inclusive nos meios de comunicação. Uma somatória de fatos, fez com que o Dr Fróes, desse mais um de seus diagnósticos precoces fantásticos em menos de alguns instantantes . Só faltava um único ingrediente pra se finalizar o laudo e receitar o medicamento a minhas dúvidas. O tempo e solucionar o silêncio do meu paciente naquele instante.
Assim segue o laudo/receita médica :


“Clinica do Dr Fróes Bisbilhoteiro”
Rua: Dos Desocupados – 100 (vergonha de se meter na vida dos outros) – Bairro: A proximidade entre os seres
Salve-se quem puder / Oi
Brasil


Ao Sr. Coitado Sentado Aqui Perto


Creio que sofres de imaginação fértil , e receitarei :

100 mg de bom humor para um leitura feliz ao leitor;
250 mg de criatividade para se confeccionar bom textos e uma lingüistica inovadora;
500 mg de noites silenciosas para uma boa concentração;
1 g de discernimento para se Ter uma coluna retinha com o passar dos anos e lentes mais leves em suas armações.

Tome seus medicamentos regularmente e bons textos.

Cid : Tenha mais cuidado ao se sentar perto de mim...



Dr. Fróes Bisbilhoteiro
Dr. em psiquiatria fajuta
mais com ótimos resultados
CRM 123456

Assim passou o meu horário por ali, segui o meu caminho, também sendo cobaia de observação de algum outro Dr. Fróes da vida.
Débora Costa

Débora Costa
Enviado por Débora Costa em 18/10/2007
Código do texto: T699243

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Sobre a autora
Débora Costa
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil, 41 anos
24 textos (1253 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/10/17 04:50)
Débora Costa