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Amanhecer cinza

Ainda é cedo, o sol aparece opaco a leste
Vagaroso e com um brilho frio, eu o vejo olhar pra mim
Mais uma noite mal dormida, outro amanhecer cinza
Plantas, flores e frutos esperam que eu seque, sentado e calado no banco rústico do jardim

Vocês mentem, o mundo inteiro mente
Alheio a tudo, finjo que meus dias são belos, “carpe diem”
Aos poucos me torno tudo aquilo que repreendes
E isso me faz sentir excepcionalmente bem

Algumas nuvens teimosas insistem em bloquear a luz
Que o sol exaustivamente me trás todas as manhãs
E me faz acreditar que ainda existe algo de bom por aqui
Mas hoje, luz não há, para que eu me abasteça de serenidade e tenha coração ávido por continuar

Trazendo chuva a minha alvorada, meu consolo após outra noite exasperada
Deixando-me nu de espírito e completamente perdido
A água da chuva lava, dissolve toda essa grossa camada
De mentiras, anticorpos emocionais, finamente acabada

Não ouso emitir um som nesse estado de vulnerabilidade
Nem me mover de modo brusco com o tão desesperador som dos pingos de chuva
Pois sei que se chamar os meus medos
Sem duvida eles aparecerão, alvoroçados e não terei destreza para confrontá-los

Portanto eu permaneço, porém não pereço
Virado mais uma noite, mas não do avesso
Toda noite me lembro, porém eu nunca esqueço
Sentado no rústico banco do jardim

Autor: Saulo Aguiar Florentino Matos
Saulo Matos
Enviado por Saulo Matos em 19/10/2007
Reeditado em 24/10/2007
Código do texto: T701503

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Sobre o autor
Saulo Matos
Itaboraí - Rio de Janeiro - Brasil
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Saulo Matos