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SER POETA

Voz que te fala, cala,
Cala e é silêncio,
Desejo que corroe o peito,
Derrete-se e faz-se urro.

Silêncio inevitável da mentira, o esboço,
É palco,
É picadeiro,
É quimera: gotas de humor segregado...

Quase sorriso.

Sou poeta,
Canto o desencanto,
No canto de meu canto,
Pelo palco do canto da solidão.

Sou poeta,
Meu riso é chave, é porta, é janela,
É trinco que se trinca e trinca,
Trinca ânsia, trinca fala, trinca tudo, trinca.

Ser poeta,
É ser riso que disfarça dores,
Sem, dos olhos, não poder esconder
A dor que se faz sentir.

Ser poeta é viver encobrindo olhares,
Disjungindo palavras pelo tom da poesia,
E, com os olhos, escrever a beleza do silêncio de saber sofrer.

Vida de poeta,
É voz que se põe em métricas,
É silêncio que corroe o peito,
Dissolve-se na boca,
Faz-se dor parturiente
Na voz de todas as palavras que ainda não existem...

C.J.Maciel

Poema devidamente registrado em cartório em nome do autor. Toda e qualquer reprodução, sem expressa permissão, sofrerá as sanções cabíveis conforme rege a Lei dos Direitos Autorias.
Carlos Maciel CJMaciel
Enviado por Carlos Maciel CJMaciel em 22/10/2007
Código do texto: T704715
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Sobre o autor
Carlos Maciel CJMaciel
Recife - Pernambuco - Brasil, 46 anos
171 textos (5065 leituras)
4 áudios (170 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/10/17 04:48)
Carlos Maciel CJMaciel