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ELE COSTUMAVA AMÁ-LA


Conheceram-se no dia em que foram conferir a lista de aprovados. O grito fora unânime: 

- Passei!

Um olhou para o outro e sorriram. Ali nascera um sentimento muito forte: o amor.

Fizerma as inscrições. Caíram na mesma sala. Estudaram até o fim. Casaram-se após a formatura.

No Rio de Janeiro ei acontecer um show de rock. Eles eram fissurados em rock: Iron Maiden, Megadeth, Metállica, Pink Floyd, Red Hot Chilli Peppers e Guns 'n' Roses, entre outros. Emerson não tinha o cabelo comprido, mas usava umas roupas a caráter às vezes. Alice também era discreta.

O hobby de Emerson era mexer com terra. Gostava de jardinagem. Durante o dia trabalhava em um escritório; à atrde, tirava a roupa social e ia para estufa, ou mexia no jardim em frente à casa.
Alice gostava de fazer bolos. Trabalhava num pet shop.


                     *                     *                    *

Apesar de curtir  rock, Emerson era calmo e equilibrado, diferente de alguns colegas que conheceu. Mesmo quando nervoso, tornava-se apenas sério e nada mais. 

Amava Alice desesperadamente, não conseguia imaginar-se sem ela.

Um dia - depois de muitos anos -, vieram dizer para ele que Alice  o estava traindo. Ele apenas disse: "Não acredito! Mostre-me primeiro." Era difícil; então tudo estava bem.

Os boatos não cessavam. De repente toda a vizinhança comentava:

- Você viu Alice com fulano? Coitado do seu amrido, homem tão honesto.

Quem nasce pra ser corno, vai ser até morrer.

                   *                       *                          *

Uma noite sentado no sofá assistindo ao jornal, enquanto Alice fazia o jantar ele pergunta:

- É verdade?
- Verdade o quê?
- O que andam dizendo por aí?
- Dizendo o quê Emerson!? Dá pra ser mais claro?
- Que você anda me traindo e...
- O QUÊ!? - ela começou a choramingar. - Você pensa isso mesmo de mim?
- Estou só perguntando... Calma! Eu acredito em você. Sim acreditava, pois tinha jurado para ela e ele mesmo que a amaria até o fim de sua vida.

Fizeram amor aquela noite...

            *                           *                                  *

Mentira ou não Alice passou a evitá-lo mais. Um dia estava menstruada. No outro dor de cabeça. Num outro dia cansada demais...

Numa manhã, enquanto tomava banho, ele ouviu o telefone tocar.

Deixou o chuveiro ligado e correu até à porta. Encostou o ouvido na porta.

- Oi querido.
Seu coração disparou.
- Não ele está tomando banho. Não ligue mais ouviu?

Acho que estou dormindo ainda. Deve ser um pesade, ele pensou.

- A que horas? No mesmo lugar? Tá bom então um beijo.

Às vistas de Emerson tornaram-se escuras. Chorou apenas.

              *                       *                           *

Procurou um detetive particular. Contratou-o. Pediu-lhe apenas fotos. Qeria um flagrante.

- Tudo bem. Daqui a duas semanas.

Terminado o prazo, o detetive chega, entrega-lhe os documentos:

- Eles vão se encontrar no motel tal... a tal horas desse dia...
- O brigado. Aqui termina seu serviço.

Pagou o combinado e dispensou-o. Em seguida ligou para seu advogado. Afinal não queria dividir nada com Alice. Ela era a tridora nmão ele. Justiça seja feita.

No dia marcado, Emerson pediu lincença na empresa. Caminhou ao estacionamento, pegou o carro e foi ao motel. Chegando lá, subiram ao andar indicado e ao abrir a porta, uma surpresa: Ninguém!

- Cadê eles?!

Desceram as escadas o gerente apenas balançou os ombros indicando que estava mais fora de órbita que tudo. 
Emerson se sentia humilhado demais. Sentia-se rídiculo com a cena.
- Não entrou nenhum casal aqui com esse nomes.
Foi para casa feliz da vida. Eu sabia meu amor. Tudo boato. Eu ainda caí nessa? Tremendo idiota!
Chegando em casa um choque maior:
As coisas de Alice não estavam lá.

- Será que ela foi embora? Não estou sonhando novamente.
- Calma Emerson! Você está muito nervoso! Beba um copo com água, ok? -Tentou amenizar Figueira. - Mas é o que parece, - completou.

Chorou muito; por vários dias.
Então era a vingança por eu não ter acreditado nela - sentenciou.

Procurou ligar para os parentes dela, os amigos e nada. Tenou todas as formas de comunição. Jornais, revistas, televisão, panfletos, montou até uma central, mas nada. Quando ligavam ou era trote ou alarme falso.

- Eu te perdôo querida, mas volte. falava para si mesmo.

                      *                    *                        *

O tempo foi passando. Ele acabou se esquecendo.
Soube depois que tal Fulano, também havia fugido deixando a mulher com dois filhos. Depois da aceitação, entrou na justiça para separar pelo litigioso. Agora livre, retornou às suas atividade.

O jardim que estava um tanto abandonado e esquecido, pegava nova viço.

Num domingo pela manhã um amigo veio visitar-lhe.

- Tudo bem Emerson?
- Como vai Tadeu? Puxa cara há quanto tempo!
- Que o diga os meus fios de cabelos brancos - ironizou.
- Entra aí.
Ele entrou
- Aceita um café? Água? Suco?
Emerson ligou o rádio numa estação de rock.
- Como nos velhos tempos hein? Recuperou-se?
- E até hoje nada... Precisamos caminhar a vida não pára. Mas vamos falar de outra coisa. O passado não retorna nunca.
Saíram em direção ao jardim. Emerson continuou o seu serviço, limpando as plantas.

Conversaram sobre vários assuntos. O rádio tocava as canções envenenadas...

- Nossa como suas plantas estã viçosas, mais vivas, mais bonitas. Qual é o segredo?
- Adubo - ele respondeu.
Nessa hora,começou a tocar a música "I used to love her" do Guns 'n' Roses. Emerson comentou:

- Essa é a minha música preferida...


               


30 - 31/ 01/ 07 - (in Salpicos e Borrifos)

Gonçalves Reis
Enviado por Gonçalves Reis em 30/10/2007
Reeditado em 29/01/2014
Código do texto: T716739
Classificação de conteúdo: seguro

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