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        De bico calado

Afirmo não ter costume
De falar da vida alheia.
Mesmo que seja um estrume,
O certo, que se presume,
É não comentar na aldeia.

Quem não tem os seus pecados,
Escondidos no baú?
Fiquem lá bem sossegados,
Se nos forem revelados,
Imaginem o rebu!

Certo mesmo é que a vizinha
Voa como as borboletas:
Põe o ruge, de noitinha,
E na pele de santinha
Capricha nas piruetas!

Usou toda a faceirice
Pra cima do sacristão
Que, caindo na tolice,
Prometeu e mais não disse:
-Deu-lhe uma televisão!

No mercadinho da esquina,
Coitado do Juvenal:
Foi caindo na propina
E perdeu, com a franzina,
Toda a féria do Natal!

Do outro lado da cidade,
Comentam à boca murcha,
Uma certa autoridade
Foi-lhe fazendo a vontade...
- Perdeu até a garrucha!

Nessa lavagem de roupa,
Eu fico ali, bem no centro.
Ela é esfregão, sou estopa,
Se a diaba me der sopa,
Eu te asseguro - estou dentro!

Espalhar tanta desdita,
Da malvadeza é o cúmulo.
Da minha boca maldita
Nenhuma palavra é dita:
Te juro que sou um túmulo!

        Bom Jardim -RJ
         EM 03/11/2007
Vitório Sezabar
Enviado por Vitório Sezabar em 03/11/2007
Reeditado em 23/08/2014
Código do texto: T722089
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Vitório Sezabar
Bom Jardim - Rio de Janeiro - Brasil
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