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Aguaceiro

Quando chovia era um aguaceiro no mar dos olhos do menino
Lagoa serena
Ribombava d`àgua
O rio estourava pelas beiras

Quando chovia era assim
Mariposas aos milhares rodeavam a lâmpada da sala
Sapos e rãs vinham visitar a nossa porta
Louva a deus vinha pousar na janela da casa
Ariris faziam festa no céu
Seriemas voavam na planície branca da praia

Chovia muito no sertão do vale encantado
Chovia dias inteiros
Goteiras despencavam do telhado de barro cru
Entrava àgua no quarto na sala na cozinha

Àgua do Jequtinhonha
Àgua do São Miguel
Àgua do Córrego Das Abóboras
Àgua do Anta Podre do São João do Tamburi
Àguas dos minadouros da Serra Das Quatro Patacas
Àgua de rio de córrego de riacho de ribeirão

Besouros rola bosta entravam nas frestas das portas
Formigas lava pés surgiam em golfadas nas paredes da casa molhada De chuva

Esses bichos faziam parte da família
Naqueles dias de chuva no sertão do vale encantado

VALE ENCANTADO

No vale encantado era assim
Canoinhas cor de ocre atravessavam o rio de margem a margem
Canoas escuras
canoas cor de pau n`àgua cortavam os olhos do menino
Sentado nas barrancas de terra vermelha com os olhos no azul
Onde urubus faziam suaves contornos de vôos
Plano de vôo planos de jamais deixar aquele chão
Aquele rio aquele porto aquele sonho
Aquele amor de nunca mais doer
De nunca mais sangrar
O menino sentado nas barrancas de terra cresceu
Mas o rio ainda banha o seu coração
Ainda banha a terra que molha o chão
Flor de lis no sertão
Flor do Lácio da língua dos Botocudos
O menino cresceu
O bonde passou
A tarde caiu
A noite chegou
A cidade se abriu
E o sonho acabou

CANÇÃO DA NOITE VELHA

Cidade marcada de sol e céu anil
Cidade velha cidade antiga

Vieste do sangue derramado dos ancestrais
Que agora reside nos negros cabelos da memória

Alongo meus olhos sobre as àguas do rio
Sobre o casario de telhados cor de barro
Sobre os coqueiros da orla fluvial

Agora que a noite velha cai como um açoite
Em um céu de estrelas sem fim

Agora que a lua envolve com seu manto prateado
O ouro do rio correndo entre seixos em busca do mar
Cláudio Bento
Enviado por Cláudio Bento em 05/11/2007
Código do texto: T723960

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Sobre o autor
Cláudio Bento
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Cláudio Bento