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DESEJO (incandescente)

Eis um conto sobre uma perdição que se aproxima...
A história de um general do inferno e sua paixão...
Um senhor das sombras e sua apaixonada tragédia...

Os lábios de uma musa cujos olhos eram cristais de mar...
Os olhos de uma musa cujos lábios eram flâmulas e fúrias...
O seio aparente era arte sacroprofana esculpida sob o luar...
Na cama enluarada em chamas econtraram suas odes e fúrias...

Eis que já chegara a hora de partir... E o diabo voltou para seu lar...
E lá maculou as pragas que dilaceraram sua mente perturbada...
O louco amaldiçoado começou um novo jogo esperando retornar...
Verteu lágrimas em sangue e semeou de sua essência nova alvorada...

De cada gota de seu sangue negro nasceram pesadelos reais...
Pesadelos profundos e dementes, proclamados seus generais...
E estes pesadelos choraram sangue derramando-o na terra...
E de cada uma das cotas nasceram novos capitães para a guerra...

Hordas se amontoaram nos vastos campos gélidos de seu castelo...
E de lá ergueram uma torre cujas pilastras alcançavam o último portal...
E em uma noite tempestuosa alçaram velas e iniciaram o Flagelo...
Milhões de medos despedaçados sob o comando de um único general...

A noite veio mais cedo naquele dia conhecido como a última lembrança...
Vindos de todos os oceanos as Hostes velejavam e marchavam sem parar...
Os homens mortais armaram-se e quase se extinguiram em tamanha matança...
Foi então que compreenderam que não adiantaria lutar... muito menos sonhar!

A Lâmina correu por entre os exércitos e tudo foi transformado em sangue e sal...
As Hostes se reuniram ante o último bastião sagrado e aguardaram seu Senhor...
Do centro da terra brotaram chamas escurecidas e gritaram odiosos gritos de horror...
Era bem-vindo o Diabo Poeta, louco apaixonado, General Supremo, fragmento do Mal...

Os homens encontravam-se encurralados em suas últimas muralhas...
Suas mentes bombardeadas pelas lembranças das últimas batalhas...
E a cada movimento de sombras, de Sombras, sentiam suas mortalhas...

Por entre as fileiras infinitas ecoou uma voz trovão..
Caios cortaram o céu e a chuva cessou repentina...
Palavras turvas voaram e explodiram no portão...
"Entregai-me a mulher ou e ordenarei carnificina!"

Um par de asas surgiu em chamas na linha do horizonte...
Um anjo que transmitia estranha paz voou pela cidade...
Em seus olhos curiosos ele errava despreocupado pelo fronte...
Ele buscava apenas uma mulher que levaria para a eternidade...

Todos se recolheram e acompanharam a leveza suas asas...
E logo se tranquilizaram e o acompanharam em sua paz...
E todos os que saíram foram estuprados em suas almas...
E caíram corpos em chamas, devorados por calmo apetite voraz...

Levados e tragados por suas esperanças... a maioria eram soldados...
Os homens da guerra estavam cercados dentro de sua sanidade...
Enquanto gargalhadas e urros monstruosos mostravam impiedade...
Não havia escapatória... Todos estavam enlouquecendo... condenados...

E os pilares da fé começavam a tremer e tremiam com violência...
Surtos de fúria e loucura explodiram com inimaginável virulência...
Houve guerra dentro das muralhas... Mais morte, mais demência...

Outra vez a voz trovão explodiu em chamas nos limiares do Bastião...
"Entregai-me a mulher ou sintam a dor na escuridão da sombra que se aproxima!"
E as preces não eram mais necessárias, pois apareceu a musa da Paixão...
E ela se apresentou na torre mais alta, cortou a garganta e se jogou lá de cima...

Houve um silêncio ensurdecedor... Uma orquestra macabra e cruel...
O diabo louco poeta gritou tão alto que o silêncio se estraçalhou...
Escorreu-lhe uma lágrima incandescente e ele olhou com ódio para o céu..
Uma dor cortou-lhe o corpo ao meio... Ele caiu... O inferno o recapturou...

As hostes minguaram e foram ensolaradas e então sumiram em mistério...
O diabo poeta retornou às suas correntes, vigiado de perto pelo Mal...
E mais uma vez ele observou os mortais e novamente se apaixonou....
E no ardor de sua prisão de gelo ele arquiteta um novo e maior império!
Callis Morius
Enviado por Callis Morius em 11/11/2007
Código do texto: T732707

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Sobre o autor
Callis Morius
Itaúna - Minas Gerais - Brasil
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Callis Morius