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Geração Oitenta

Quando me convidaram
Para entrar na discoteca
O embalo já estava no fim
Quando os militares debandaram
Dos seus aposentos
Não havia mais flores no meu jardim

Quando me disseram
Que o sonho renasceria
Eu acreditei, mas foi em vão
Quando os hippies abandonaram
O acampamento
Minha juventude perdeu toda a razão

Quando me chamaram
Para conquistar o mundo
Os yuppies já o haviam saqueado
Quando as autoridades debelaram
Os movimentos
A década perdida virou fato consumado

Eu não tenho nada a dizer
Eu não tenho idéias para oferecer
Eu vi aquela época dourada envelhecer
Eu sou da geração oitenta
Minha retórica é recheada de lirismo démodé
Minha arte é um vazio monocromático dégradé
Paulo Antonio Barreto Junior
Enviado por Paulo Antonio Barreto Junior em 12/11/2007
Código do texto: T733758
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Sobre o autor
Paulo Antonio Barreto Junior
Salvador - Bahia - Brasil, 46 anos
417 textos (6206 leituras)
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