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BRASILIDADE

Desde os tempos contados das caravelas,
daquele rota errada para as índias,
as cartas falavam de uma bela terra,
que fora vista entre os mares, perdida.

Terra hoje que vive para o futuro,
mas chora com esse presente ausente
com interesses imediatos e escusos,
que leva abastarda um povo carente

Nasci, por um golpe, bem na ditadura.
Não sabia dos porões sangrentos,
milagre brasileiro, disfarce da censura,
máscara do carnaval triste e lento

Tão lento, que o tempo foi sem as horas.
Finalmente veio os ares da abertura
e em gotas do sangue que não consola
revelavam os gritos calados da tortura.

Embevecido nos donos das mudanças,
a democracia claudicante vingou,
em berço esplêndido o país se agiganta,
o povo brasileiro foi as urnas e votou.

Eram novos tempos , novos presidentes,
sem querer me ater aos nomes dos eleitos,
Eles, sem dúvida, pousavam sorridentes
o sorriso de homens de grandes feitos.

Claro, tivemos no país alguns avanços,
mas diziam que o bolo seria partilhado,
e o povo ainda dorme com esse acalanto
como o berço sem esplendor e cansado.

Andamos na vida cada dia com fé
de que  esse bolo deixe seu gosto amargo,
que o sabiá entre palmeiras cante pro zé
e os bosques dêem mais vida em nossos passos.

Naldo Coutinho
Enviado por Naldo Coutinho em 19/11/2005
Reeditado em 31/07/2006
Código do texto: T73570
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Sobre o autor
Naldo Coutinho
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Naldo Coutinho