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Corra que o DIABO vem ai!

O terço na casa da dona Eulália acabara de começar (20h00min), eu e alguns outros meninos já saímos de fininho e ficamos sentados na porta de uma sorveteria que ficava na esquina do outro lado da rua, contando causos e como quase sempre acontecia (eu detestava) o papo já começou a ficar amedrontador, saci perere, mula sem cabeça, parentes mortos que vinham puxar o pé na madrugada, enfim essas conversas que deixam até os mais corajosos de cabelo em pé.
Não haveria hora mais imprópria para que uma queda de energia nos deixasse totalmente às escuras, até pensei em retornar para o terço, que a essas alturas já estava sendo conduzido a luz de velas e lampiões, como ninguém se manifestou o melhor era
permanecer por ali mesmo e continuar a ouvir aquelas estórias cabeludas.
O medo já não era pouco, a escuridão só fez aumenta-lo ainda mais, éramos mais ou menos cinco/seis meninos.
Décio (filho da dona Eulália) e eu estávamos lado a lado sentados, e um dos meninos contava fervorosamente um embate terrível entre Deus e o diabo na disputa por uma alma que ambos diziam pertence-los. Repentinamente um barulho estranho na escuridão infinita (nem a lua era nossa aliada naquela noite) chamou a atenção de todos e por alguns segundos o silencio imperou entre nós e o medo (ao menos o meu, deve ter sido elevado a10° potencia), Décio e eu instintivamente nos colocamos em pé e com o corpo colado na parede da sorveteria (ele na frente) e sondamos a ladeira que cruzava a rua em que estávamos, era uma longa ladeira e lá no alto numa velocidade incrível vinha uma coisa preta justamente em nossa direção, meu coração que já não batia num ritmo normal, quase sai pela boca, o Décio deu um grito ensurdecedor dizendo é o DIABO e saímos numa disparada alucinante e adentramos sua casa assustando a todos e acabando de vez com o terço.
O pai do Décio insistia para dizermos o que tínhamos visto o que tinha acontecido, eu nada dizia, mal conseguia respirar agarrado ao braço de minha mãe que já tinha me metido uns dois copos de água goela abaixo. O Décio então cai na bobagem e fala: Pai nós vimos o diabo e ele queria nos pegar, o velho indignado pega uma lanterna e tenta convencer-nos a voltar lá fora e mostrar a ele onde estava o bicho. Relutamos até onde deu mais diante das ameaças fomos quase que obrigados a retornar (eu voltei mais levei minha mãe junto comigo) o Décio foi à frente com seu pai de lanterna em uma mão e de facão na outra. O velho desgraçado voltou com um sorriso sarcástico no rosto e disse: vem cá menino, vem ver do que estava com medo, fui, respirei fundo, dobrei a esquina e olhei, o velho me perguntou, então o que me diz?...Insiste... Então? Batendo meu coração num ritmo próximo do normal (já conseguia pensar um pouco) respondi:
Digo que se descobrir o infeliz... que soltou este pneu de caminhão lá de cima eu o mato!
edemorpin
Enviado por edemorpin em 15/11/2007
Reeditado em 03/02/2008
Código do texto: T738439
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
edemorpin
Porto Seguro - Bahia - Brasil
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