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Histórias de Chiquinho

O Chiquinho era um garoto para lá de criativo! Vivia na roça, onze irmãos. A história que vou contar tem como cenário, um vilarejo remoto, povoado por poloneses de nomes confusos. E aconteceu há muitos anos atrás mais ou menos uns quarenta e cinco.

Chiquinho é do tempo em que televisão era luxo e veículos a motor eram monstros que atravessavam a estrada rugindo, fazendo com que os polaquinhos da região ganhassem o mato de um salto só, por sobre a cerca.  Menino criativo, não tendo TV, Playstation, DVD, e essas modernidades que nossos filhos tem hoje, sobrava bastante tempo para mirabolar muitas peripécias.A criançada tinha tempo de sobra para criar uma arte com requinte, arquitetando as vezes por dias até ela estar perfeita para ser executada. Irmão de tantas crianças, não lhe faltava nada, só que também não era nada  em abundância. Para ganhar algo que quisesse muito, às vezes tinham que esperar um pouco, afinal, não é fácil alimentar, e vestir doze crianças. Acontece que na época estava muito na moda entre a gurizada da região, usar uma pulseirinha de couro. Chiquinho estava louco para ter a dele. Hoje Chiquinho é Francisco, engenheiro aposentado, pai de três filhos e avô de um neto. Talvez, por ser engenheiro, já naquela época queria fabricar coisas. Quando queria um brinquedo ou algo novo, tratava de dar um jeito de conseguir, e na maioria das vezes este jeito,era ele mesmo colocar a mão na massa. Veja bem, Chiquinho tinha na época apenas seis ou sete anos de idade. Para a pulseirinha, o couro ele já havia arrumado, bem fininho como ele queria, até a cor era perfeita, mas havia um problema a ser resolvido. Faltava a fivelinha. Para sorte dele receberam uma visita. Um casal de amigos, que moravam longe, e de repente chegaram em sua carroça. Tinham uma garotinha. Que devia ter um aninho. A mãe fez uma festa!Naquele tempo receber e fazer visitas, não era tão simples assim, significava ter que deixar a criação, a roça e andar muitos quilômetros em cima de uma carroça sacolejante. A família cansada foi muito bem recebida, chimarrão e boa prosa. O tempo passando todos se descontraindo. Foi chegando a hora do almoço. Boa polenta com molho de galinha. O Chiquinho acompanhando toda a movimentação, sentadinho no chão ao pé da porta, brincando com um velho carrinho de madeira. De repente, a saída chegou com um estalo e brilhar de olhinhos. A menina usava uma sandália, com uma fivela dourada, luzindo de novinha!!! Era o que faltava para ele confeccionar sua pulseira. Ele ate já podia imaginar como ficaria, e já estava até saboreando, os olhares de admiração que iria receber dos outros, afinal, seria uma linda pulseira de couro. Lá pelas tantas, a ocasião se apresentou e ele avistou a oportunidade de surrupiar seu objeto de desejo. A menina tirou a sandália, que ficou jogada ali por perto, perto demais de suas mãos nervosas e rápidas! Não deu outra.! Chiquinho munido de um faquinha cortou a fivelinha e feliz da vida sumiu das vistas deles, agarrado em sua tirinha de couro!!!!

Ele passou a usar uma linda pulseira, enquanto que a garotinha teve que passar a usar tamanquinhos!Ou era isso, ou tinham que esperar a próxima visita a cidade para procurar outra bela sandália.

 

Estas são historia regadas a vinho, fogão a lenha e reunião em família....

 

 

Simone Mottola
Enviado por Simone Mottola em 16/11/2007
Reeditado em 16/11/2007
Código do texto: T740183

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Sobre a autora
Simone Mottola
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 47 anos
193 textos (21024 leituras)
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Simone Mottola