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Maria Raimunda – Uma linda mulher

Avança a madrugada
Insensível à minha sorte
Quisera eu a morte
A uma mente assombrada

Levanto, vou até à rua
Minguante está à lua
Entro, tento dormir
E nada de conseguir

Maldita a hora em que te encontrei
Os olhos em ti fitei
E fui logo pensando:
“Meu Deus! O demo estou encontrando”

Lembro-me de teu rosto
Que me traz profundo desgosto
Teus olhos esbugalhados
Teus cabelos ensebados

Tua pele escamada
Tuas unhas encardidas
Tua cara achatada
Tuas mal curadas feridas

Os dedos dos pés encavalados
As unhas encravadas
Tua barriga saliente
Quem olha, jura ser uma indigente

O sovaco atrái urubu
Pra não falar do cheiro do **
Tua mata desgrenhada
Sai, com você não quero nada

Os olhos remelentos
O nariz todo xexelento
Anda e bamboleia a bunda
Chamam-te de Maria Raimunda

Mesmo que fosse rigoroso inverno
Ou estivesse no inferno
Sai, não adianta mutreta
Não costumo abraçar o capeta

Sai, demônio! Esta alma não te pertence
Deixa este corpo indecente
Deixa de barafunda
Sai do corpo de Maria Raimunda



Juraci Rocha
Enviado por Juraci Rocha em 21/11/2005
Reeditado em 21/11/2005
Código do texto: T74365

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Sobre o autor
Juraci Rocha
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Juraci Rocha