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O Natal que fez o meu amigo desacreditar de Papai Noel!



     - Já faz dias que o Gilmar anda estranho.

     - É, parece que ele sofre de algo, mas está sempre sorridente e de bom humor.

Assim eram os comentários feitos pelos funcionários que andavam pelo pátio, nas salas e por toda a repartição.
Em seu tradicional andar desconjuntado, o Gilmar ia de sala em sala, à cozinha tomar um cafezinho e conversar fiado com Dna. Ordália, a servente que fazia o café dos funcionários. Rodava por toda a repartição, distribuindo sorrisos e dono de um humor intocável.
Quando estava em sua sala ele firmava-se de lado ao sentar-se em sua mesa, detalhe que ninguém havia percebido.
"É, pelo jeito está tudo bem", era o pensamento de todos em sua volta. Mas eles sentiam a existência de algo, e esse algo preocupava os amigos que, por puro instinto, sabiam que alguma coisa não estava bem com ele.


Na sexta-feira dia 23, antevéspera do Natal, os funcionários se reuniram, no final do expediente, para brindar e trocar abraços antes de irem para casa. O Gilmar era o mais alegre entre todos. Sorridente e despachado, ele distribuia com euforia os seus votos de boas festas.

     - Bom Natal Dna. Ordália, e beijava com carinho a velha servente que o adorava. Bom Natal Pedrinho, vê se não me enche a cara de cachaça, em. Segunda tem expediente e nós precisamos de você inteiro por aqui. Feliz Natal chefinho, tomara que Papai Noel te traga um presente bem bonito, pra que você fique feliz e venha trabalhar na segunda menos exigente com o pessoal, ele brincava jocosamente com o seu chefe, o Delegado de Ensino, Dr. José Luiz Freire de Almeida.

Depois de inumeros abraços, e muitos brindes feitos com champanhe barato, fomos todos para casa.


Ao voltarmos ao trabalho - na manhã de segunda-feira, dia 26 - cada um de nós falou do seu porre de Natal. Comentamos as nossas atitudes ridículas, quando ficamos bêbados, e as canções cantadas molemente pela madrugada em festa. Naquela manhã pouco, ou quase nada, se trabalhou. Muito sim, se falou sobre o ocorrido nos Felizes Natais.
Após o almoço, apareceu o Gilmar dando a todos um sorriso sem graça. Só ai eu percebi que ele não trabalhou pela manhã. Todos sentiram o peso do sorriso forçado em seu rosto. Intuiram que algo de ruim tinha acontecido em seu Natal, sem imaginar o que poderia ter sido.
Mais tarde, quando ficamos a sós, eu lhe indaguei:

     - E então, companheiro, parece que você não está nada bem. Algum problema ocorreu no seu Natal?

Ele me disse, confidencialmente e com ironia, enquanto me mostrava uma nota de uma clínica médica, especificando uma cirurgia urgente, que trazia o seu nome e a data de 25 de dezembro.

     - Merda cara. Não me aconteceu nada, o meu Natal foi maravilhoso. Na noite do dia 24 para o dia 25 me estourou a morróide e eu o passei em uma mesa de cirurgia. Hoje eu volto para o trabalho sem poder sentar e com uma mangueira enfiada no rabo. Sim eu tive um bom Natal, meu amigo, só que agora eu não acredito mais em Papai Noel.

CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Enviado por CARLOS CUNHA o Poeta sem limites em 19/11/2007
Código do texto: T743694

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Sobre o autor
CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Japão, 63 anos
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