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MISANTROPIA

Que ressaibo néscio, tens ao transgredir
meus silvedos, animais e águas enigmáticas?
Com teu impacto desabrido destróis sem mo ouvir
como o fizeram, inexoráveis, tua família atávica!

Porque não páras? num assomo de tua infância,
Quando teu corpo... lasso  das balbúrdias
encontravas-me sempre pronta, sem inconstância:
Era sombra, alimento e tudo que te carecias...

Ontem, protegi teu corpo, vitalizei tua quimera.
Hoje, sem nostalgia, avanças funesto, com calma.
Sabes que ao destruir-me, te destróis, destróis a terra!
ainda assim: rompes meu clâmide, devassas minha alma!

Acabas comigo, sob a proteção de Apolo [quem diria?]
imputa-me os braços [galhos] e meus ramos rupestres
pescas, poluis, invades, perfuras meu solo
predador sem causa... de pândegos!! - És peste!!
kyriadalua - Imaculada Catarina
KYRIADALUA
Enviado por KYRIADALUA em 24/11/2007
Reeditado em 24/11/2007
Código do texto: T750617

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Sobre a autora
KYRIADALUA
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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