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Ao Alvo que Atira Para Não Ser Atingido

Assim se caminha ao encontro
De tudo o que já não faz pensar
Pelo conforto caminhamos contra o vento
Contra o povo e nosso entendimento

Artimanhas tão inconsequentes
Aquecem nossos peitos gelados
Não em sentimentos ou esperanças
Mas pela adrenalina na cega vingança

Sem lenço nem documento seguimos
Jogamo-los fora e nos esquecemos
Que olhares famintos não mais nos comovem
A dor dos feridos já não nos envolve

Mas sim a graça da discórdia
Mas sim a revolta pela revolta
A esquecer que também somos culpados

Achamos o bode espiatório perfeito
Aquele a quem nós mesmos pertencemos
Aquele que por trás nos escondemos

Brandindo verdades tão massacrantes
Fingimos que a nós ela não cabe
Apontamos o culpado pela dor da nossa gente
Mas não assumimos que pouco ela nos vale

Cantamos o sacrifício dos que nos governam
Mas não abrimos mão do que nos agrada
Os alvos que atiram a si mesmos preservam
É fácil culpar quem representa a desgraça

No fundo escondemo-nos de nós
No fundo percebemos nossa demagogia
Pois abrimos a boca e tapamos os olhos
Tentandos maquilar a nossa covardia
Cleo Felina
Enviado por Cleo Felina em 27/11/2007
Código do texto: T754769

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Sobre a autora
Cleo Felina
Recife - Pernambuco - Brasil, 30 anos
219 textos (5039 leituras)
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Cleo Felina