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Poeta: animal em extinção

                                        "Um dia terei partido, e as pessoas vão
                                        ouvir minhas canções e ver minha
                                        imagem diante delas. Para que isso
                                        aconteça, você precisa inserir alguma
                                        coisa na sua canção. Como uma cápsula
                                        do tempo ou como fazer uma boneca de
                                        vodu.” (Tom Waits)
                                        ..........................

se a poesia não agita
não grita
não importa
não projeta
não exporta
se esgota em si
se auto-consome
some
se a poesia se contém
não extrapola
não dá audiência
subservente
não segue à frente
irrelevante
se não interage
não agita
não aflita
não infiltra-se na canção
na sociedade
à parte
se auto-consome
some
se a poesia não recita
não fala
não dança
não representa
não gesticula
não articula-se
fica letra morta
na tela no livro no site para poetas
auto-consumo
perfume raro
torre de marfim
se isola
de repente some
e ninguém nem nota
se a poesia não é popular
não é pra popular
se não compete
com Ivete
não sai no carnaval
se não ganha o auto-falante
perde fôlego
domada
se confina à escrita solitária
não é perfomática
estática
se suicida
e ninguém nota
se a poesia for discreta
crua
só ferro e cimento
sem alma
se não tiver conteúdo
vida
não exporá nada
se fecha
domada
dominada
nada
se ninguém abre o livro
a página fica amarela
se não presenteia
ninguém abre a caixa
vira página virada
se consome
na fome
some

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“Alguns pensam que a poesia perdeu sua importância porque – tendo-se esquecido de que era originalmente articulada à fala e ao corpo – deixou-se confinar à escrita. O remédio, neste caso, seria, em última análise, que o poeta se tornasse o performer dos seus próprios poemas .... De fato, na poesia oral primária, como na de Homero, o que o bardo recitava ou cantava era ligado à presença, à voz, à dicção, aos movimentos corporais dele. As palavras, a música e a dança se unificavam na sua figura.” (Antonio Cícero – FSP, 1º/12/07)

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Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 03/12/2007
Reeditado em 03/12/2007
Código do texto: T762706

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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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