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O homem bomba


Ontem chamei meu “Office-boy” para ir comigo até ao banco. Eu tinha pagamentos a fazer e tratar alguns assuntos com o gerente, por isso resolvi levá-lo para que ele entrasse na fila, pagasse minhas contas, enquanto eu ficava na gerência. Quando chegamos, a fila estava enorme! Deixei-o na fila e me dirigi à gerência. Prá variar, o gerente não estava e não tinha ninguém que pudesse me atender no momento. Aliás, gerente de banco você só encontra na abertura da conta. Depois... Quando quer encerrá-la . Voltei para a fila onde deixei Adalberto meu “Office-boy” e achei algo estranho! Há dois minutos atrás tinha umas quarenta pessoas na fila e de repente vi Adalberto já no caixa pagando as contas!  Onde teriam ido aquelas pessoas? Mas, senti um mal cheiro que tomava conta do ambiente! Olhei para a porta e vi que as pessoas estavam do lado de fora do banco. E o cheiro cada vez pior! Saí também! Fiquei lá fora esperando Adalberto. Não demorou muito veio ele todo sorridente, com a cara de quem tinha feito alguma arte. Perguntei a ele o motivo de tanta alegria e a resposta não poderia ser outra! - Patrão, soltei um pum, que perto de mim não ficou um. Não me contive e comecei a rir. Imagine o pum que ele soltou! Se fosse medir o cheiro em proporção à força, o Katrina perderia longe! Na rua ao lado tinha feira, aproveitei para comprar alguns legumes, frutas e dei uma passada na barraca de pastel do japonês. A barraca do Japa estava lotada e ficamos ali aguardando a nossa vez. De  repente o mau cheiro se infiltrou e a galera sentiu! Eu saí de fininho e comecei a rir. Não estava acreditando que o Adalberto tivesse feito aquela proeza de novo! Mas Fez! Uma senhora passava com uma criança no colo e a galera não perdoou! – Dona, a senhora precisa trocar a fralda dessa criança! O cocô dele está podre! A mulher ficou intrigada, armou um barraco, deu porrada em todo mundo, foi um verdadeiro furdunço! Tinha um cachorro deitado, desses que ficam nas barracas que vendem salgados esperando algumas migalhas caírem ao chão, que pelo faro sentiu de onde veio o cheiro e começou a latir para o Adalberto. Nem o cachorro suportava aquela podridão!  Só sei que nessa confusão a barraca do japa ficou vazia. Eu proibi o Adalberto de comer o pastel enquanto ele não se livrasse da carniça que lhe acompanhava. Adalberto foi até ao bar para dar um cagote, enquanto eu o esperava na barraca do japa. Depois de uns vinte minutos vem Adalberto com o semblante até mudado! – Pronto patrão! Posso comer o pastel agora? – Pode, respondi! Sente-se melhor? - Ah! Sim! Bem melhor! O filha da mãe comeu três pasteis de carne, um de camarão e bebeu dois copos de caldo de cana! Fomos para o escritório, deixei o carro no estacionamento e pegamos o elevador. Meu andar é o vigésimo quinto. Dois elevadores estavam em manutenção e só um estava funcionando. Entramos no elevador eu, Adalberto e mais umas dezoito pessoas. Estávamos ainda no quinto andar, acabou a luz. Algumas pessoas ficaram irritadas, outras batendo na porta, xingando, mas, não tinham idéia de que o pior ainda estava por vir. Adalberto dessa vez extrapolou! Além do barulho que parecia tiroteio no morro do dendê, o cheiro era coisa inenarrável! E o pior! Não tive por onde escapar. Imagine a confusão dentro do elevador com vinte pessoas mais o ascensorista, todos no escuro e tendo que respirar a carniça do Adalberto! Foi uma tragédia! Xingaram até a última geração do autor daquela façanha. Mas, ninguém sabia quem era, o jeito era cheirar e relaxar! Que fedentina! Uns quinze minutos depois a luz voltou, rapidamente saímos no vácuo. Nenhum pobre mortal agüentaria mais dois minutos ali dentro. Ao invés de subir, descemos pela escada e fomos respirar ar puro lá fora. Resolvi levar Adalberto na clínica de um médico amigo meu, para que ele lhe receitasse algum remédio. Chegamos lá, a espera era grande e o atendimento tinha que ser com hora marcada! Eu disse à recepcionista que era uma emergência! Ela pediu que aguardássemos um instante que o Dr. nos atenderia. Não deu outra! Adalberto dessa vez soltou uma rajada, “Daqueles assopros meio molhado” que era pior do que o do elevador. Eu não sabia onde enfiar a cara! Afinal, Adalberto estava comigo! A sala de espera da clínica em menos de um minuto ficou vazia. Adalberto pediu para usar o mictório, a moça toda sem graça e com os dedos tapando o nariz, lhe entregou a chave. O médico saiu lá de dentro desesperado porque o cheiro tinha tomado conta da clinica! Eu nessa altura já estava quase mijando nas calças de tanto rir! Tentei explicar ao Dr. Ricardo meu amigo o que estava acontecendo, nisso entra uma paciente que não sabia de nada vira para ele e diz: -Dr. Ricardo, sua clinica está com cheiro de merda! O que é isso? Que vergonha! Em seguida vem o faxineiro do prédio, homem simples e diz: -Dr. tá um cheiro de merda aqui no corredor, mas vem daí! Coloque uma rolha no rabo desse desgraçado.
De repente vem Adalberto entregar a chave à recepcionista, eu o apresentei ao médico e ele tenta contar seu problema! Mas, não consegue segurar e solta outro fulminante. Eu desisti! Deixei Adalberto e sumi.

Ninguém merece!




Vincent Benedicto
Enviado por Vincent Benedicto em 25/11/2005
Código do texto: T76346
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Sobre o autor
Vincent Benedicto
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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