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Tempo, esse ditador!

   O tempo parece um trator:
   vai cavando sulcos na cara da gente.
   O tempo parece máquina:
   vai cosendo bolsas sob os olhos da gente.
   Parece o tempo um peso:
   vai puxando pra baixo a pele da gente.
   Vêm cremes, tintas,ginásticas,
   dietas, plásticas,
   nada detém o tempo.
   O tempo parece louco:
   vai passando, vai dobrando,
   arqueando o corpo da gente.
   É mesmo doido esse tempo,
   fosse vento, não devastava tanto.

   Tem gente que quer enganar o tempo:
   Faz trejeitos nos gestos,
   revira os olhinhos,
   esconde as mãozinhas,
   aprende um palavreado mais que jovial;
   mas o tempo, esse danado,
   fica a se rir da gente,
   e a gente fica com cara
   de quem não comeu e não gostou.
   Ah, se pudesse parar o tempo,
   se voltar o tempo possível fosse,
   não haveria histórias de ontem,
   não caberia a palavra saudade em nenhum poema;
   terceira idade, velhice seriam coisa de cinema.
   Não ganhariam tanto dinheiro com propaganda
   de cremes, lavanda,
   coisa vinda do meio da terra,
   dos mais altos picos,
   achados, titicas
   pra espantar o medo
   que a gente sente de ficar velho.
   
   Um dia a gente assume a velhice
   com cabelos brancos,
   mãos trêmulas, manchadas,
   dá umas boas risadas,
   conta histórias com datas precisas,
   sem pudor, escancaradamente.
   Vai ver como vai correr
   todo pavor; todo susto
   vai desaparecer.
   A gente vai respirar fundo
   o suficiente
   pra encher de ar os pulmões.
   Vai tossir, espirrar,
   vai ter de uma só vez
   todos os chiliques guardados,
   mas o medo vai passar.
   E o tempo, esse danado,
   vai andar mais sossegado,
   não vai mais parecer adoidado.
   Não haverá mais poder de tirano
   que nos amedronte ou nos aponte
   qual o caminho a seguir.
   Iremos soltos, leves, mais lindos,
   porque o peso maior, este já sumiu.


   
   


   
Neusa Storti Guerra Jacintho
Enviado por Neusa Storti Guerra Jacintho em 06/12/2007
Reeditado em 11/12/2012
Código do texto: T766656
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Neusa Storti Guerra Jacintho
Araçatuba - São Paulo - Brasil
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Neusa Storti Guerra Jacintho