Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Ó Negro véu.

Ó NEGRO VÉU !

Ó céu que à noite vindes negro em grosso véu,
Cobrir-me aos olhos que buscavam entre ilusões,
Achar estrelas cintilantes de esperanças,
Pra amenizar o coração, perdido ao léu,
Batendo a esmo, solitário e sem razões,
Sem ter escolha, ao surgirem essas lembranças!

Justifique-me porque quem aí se esconde,
Ao raptar todo o amor de minha vida,
Inda tortura pelas horas do destino,
Com a solidão que vai chegando, nem sei donde,
Trazendo a dor que deveria, se esquecida,
Acalentar-me, com a crença, eu imagino!

Ó céu que à noite vindes negro em grosso véu,
Roubando a lua, minha musa em serenata,
Que faço à imagem do retrato em minha mão,
Cuja beleza me mantém um eterno réu,
Daquele amor, tal qual estrelas que em cascata,
Invadem o mar, como em meu peito, a oração!

Vê se respondes porque levo esse castigo,
Por essa vida sem razão, que vou tocando,
Qual violão que em seus acordes de lamento,
Tange na alma, as lamúrias de um mendigo,
Que a ti pediu, por piedade, implorando,
Poupar-lhe a dor, do inevitável, do momento!

Ó céu que à noite vindes negro em grosso véu,
Enigmático, insensível e duvidoso,
Porque me ocultas a razão, se ela existe,
Pra extorquir o amor fiel, deixar-me aréu,
Com todo o tempo, que me fez agora idoso,
Curvar-me à fé, mesmo sem crer, porque insistes!

Se, em vossas mãos onipotentes há destinos,
Se nos liberta pensamentos e prazeres,
Porque nas missas ao pedir-te penitência,
Ignoraste-me quando ao badalar dos sinos,
Rezava em prantos, e vós, tinhas tantos afazeres?
Que justificasse me brindar com vossa ausência?

Ó céu que à noite vindes negro em grosso véu,
Trazer-me a luz da madrugada enluarada,
Clareie as trilhas onde existam esperanças,
Que amenizem tanta dor acumulada,
Pra que eu sinta dentro d’alma a fé, sem fel,
E então perceba que há sorrisos nas crianças!

Mas se não fordes nem capaz de isso dar-me,
A simples crença que existes, que sois verdade,
E insistirdes em castigar-me com a saudade,
Vou com revolta, certamente sepultar-me,
Cético sim, perante a dúvida, no adeus,
Pedindo paz, também perdão, ó grande Deus!


Condorcet Aranha
Enviado por Condorcet Aranha em 26/11/2005
Código do texto: T76831

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Condorcet Aranha
Joinville - Santa Catarina - Brasil, 76 anos
106 textos (14597 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 17:28)
Condorcet Aranha