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     O último suspiro

Eu sei que um dia, em meio às safadezas,
Irei me despedir deste planeta,
Rever amigos lá nas profundezas,
Contar lorotas numa sala preta.

Não tenho o que deixar para os herdeiros,
Apenas cacarecos sem valor:
Os borzeguins, a faca de escoteiro,
E as garatéias deste pescador.

No bom coveiro borrifei meu charme:
- Reforce bem as alças do caixão.
Não quero, já defunto, espatifar-me,
Lançar os meus pecados pelo chão!

Saudades deixarei : as três viúvas
Sentirão falta deste meu vigor.
Conforta-me saber que, vindo as chuvas,
Alguém há de ofertar-lhes cobertor.

Mas outros chorarão : os meus credores,
A quem constantemente importunei.
Que bom, se me jogassem, junto às flores,
As promissórias que jamais paguei !

        Bom Jardim - RJ
         em 06/12/2007
Vitório Sezabar
Enviado por Vitório Sezabar em 07/12/2007
Código do texto: T768908
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Sobre o autor
Vitório Sezabar
Bom Jardim - Rio de Janeiro - Brasil
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