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Menina na Enxurrada

Menina na Enxurrada!!!

Lá fora cai uma chuva fininha
As horas se arrastam pela madrugada
Em um barraco uma gente miudinha
Arregala os olhos apavorada e grita assustada!
Socorro! E logo fica sufocada!

Lá dentro essa gente maltratada
Se segura também para não descer
Junto com os destroços e a enxurrada
Somente o silêncio da noite consegue vencer
E ouvir o grito de socorro deste pequeno ser
Socorro, menina na enxurrada!

Todos procuram pelos barrancos abaixo
Fortes braços e mãos trabalham na enxada
Não existe ilusão, só restou destruição!
Mais uma vez e essa gente não aprende a lição

A mãe esta desafortunada, está desesperada
Procura por sua filha, sua menina na enxurrada!
Por baixo dos destroços onde só resta lama
Enfim parece que acharam
Um cadáver, um corpo, uma face deformada

O que foi antes boneca linda e perfeita de porcelana
Agora entre os braços da mãe que em vão reclama
Cheia de lágrimas nos destroços, nas gotas de chuva
Na miséria, no lixo com sua boneca na lama!

Quanta angústia, quanta dor
Nos faz sofrer e padecer
A perda de mais um pequenino Ser.
Como seria bom o PODER ESQUECER!

Aqueles que nada fazem
Só deixam acontecer
Como se a dor e a desgraça
Escolhesse só alguns no triste padecer

Como seria bom o poder esquecer
Certamente o que fazem
Os que podem acalmar sua dor

Rindo do próximo com seu cruel desamor
Sofrem todos os que podem esquecer,
E aos que o poder fez esquecer
A desgraça deste pequenino ser

Mãe, só resta sofrer e padecer
Vítima de um destino cruel e trágico
Que poderia ser diferente
Se no coração de toda a gente

Não entrasse os respingos da enxurrada
E os sentimentos não carecessem
De uma grande lavada

E uma caprichada escovada
Para arrancar todo o mal para sempre

E no coração de toda a gente
Colocassem um pouco de amor
Com novas sementes
Ah! Se lágrimas brotassem

Em nosso solo fértil
Toda nossa gente, que sofre e sente
Teria uma história diferente
Para contar


Não seriam nem desgraças, nem enchentes
Ali no barraco, menina na enxurradas
Germinariam novas sementes
Para florir em nova alvorada


Aradia Rhianon
Enviado por Aradia Rhianon em 12/12/2005
Código do texto: T84988

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Sobre a autora
Aradia Rhianon
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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