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Encontros e Desencontros

            Manhã de sexta feira, um dia ensolarado, pássaros cantando, borboletas voando, enfim, uma manhã linda.
            Mas nada me fazia esquecer meu amor que havia falecido à 3 anos, mas aquela dor ainda me sufocava, eu uma mulher tão nova com a penas 23 anos, sempre me perguntava porque isso teria acontecido comigo?
Passado uma semana depois, resolvi que eu teria que viver, voltei a trabalhar, e viver com meus pais sobre o mesmo teto, só que nessa sexta feira o dia não estava tão lindo como a semana passada. Mas  minha força era tanto de viver que nem me importava.
            Estava anoitecendo e minha mãe Olivia, me chamou dizendo que minha amiga Sofia estava no telefone. Conversamos e ela me convenceu a sair, pois queria voltar a ter minha vida, apesar de todos acontecimentos eu estava ali, em pé ou melhor, viva.
            Fomos a um conserto musical lindo, que relaxa qualquer pessoa depois decidimos andar na praia, não teria como resistir a uma noite tão linda nessa cidade maravilhosa que é o Rio de Janeiro. Foi nesse passeio que minha vida mudou, conheci um homem, 29 anos, professor universitário. Estava ele lá sentado à beira do mar se debulhando em lágrimas. Avistei ele de longe e fiquei com muita vontade de ajudar, perguntar o q havia acontecido, mas ao mesmo tempo tive medo, pois nesse mundo de hoje nunca se sabe o que ia acontecer. Mas resolvi ir até ele, minha amiga ficou me esperando um pouco distante eu me aproximei. Perguntei se eu podia me sentar ao seu lado e ele disse que sim, começamos a conversar. Seu nome era Flávio. E então logo começou a me contar o motivo de seu desespero. Ele haveria perdido o emprego, disse que  afirmaram que estavam com muitas despesas e que alguns funcionários seriam demitidos, incluindo-o. Conversamos, eu contei a ele o que aconteceu na minha vida e ele algumas coisas sobre a dele. Pensei em fazer sinal para minha amiga ir embora, mas achei melhor não me aprofundar tanto, afinal teria conhecido esse homem á apenas algumas horas. Ele me agradeceu por ter desabafado e por eu ter ajudado que em certa forma ele me ajudou também. Nos despedimos e eu segui para um lado com minha amiga e ele para outro.
Alguns meses se passaram e acordei num Sábado com uma vontade de sair, alias, vontade de voltar à praia. Anoiteceu e fui sozinha, me sentei na areia até que senti uma mão em meu ombro, olhei para traz e vi quem era. Era o Flavio, com um sorriso lindo no rosto e dizendo um oi suave. Ele se sentou ao meu lado e novamente conversamos muito, mas dessa vez sobre coisas felizes, mesmo ele ainda estando desempregado. Naquela noite aconteceu o que eu mais esperava, o beijo,  eu e Flávio nos beijamos, coisa que eu não fazia desde que Antonio faleceu.
Ali mesmo resolvemos a namorar, foi amor à primeira vista. Só que levamos nosso relacionamento as escondidas, não disse ao meu pai nem a minha mãe. Ele porém contou a sua família, mas algo me dizia que não havia chegado a hora para eu contar aos meus pais sobre Flavio.
Certo dia que nos encontramos na praia, Flavio me convidou para um jantar em sua casa, com seus pais e sua irmã de apenas 3 anos. Tentei deixar para outro dia mas Flavio disse que teria que ser no dia marcado, porem seu pai viajava muito a trabalho e nem sempre ele parava em casa, fiquei até feliz, pois descobri mais uma coisa em comum, meu pai também viajava muito a trabalho, inclusive no dia do jantar ele estava viajando e falei pra minha mãe que seria um jantar na casa de um amigo, é lógico ela percebeu o que era, mas respeitou. Ela me deu um beijo e segui até a casa de Flavio.
Chegando lá, entrei, me sentei e Flavio foi muito gentil comigo, como sempre, seus pais estavam no quarto, eu estava até ouvindo uma voz muito familiar, mas me calei. Depois de alguns minutos, eles vieram direção a sala, foi quando Flavio, falou, esses são, minha mãe Marli e meu pai Gustavo. Foi quando o mundo parecia que tinha desabado em minha cabeça, aquele era meu pai, um homem que eu achava que vivia viajando pelo mundo á trabalho e não com outra família.
Sai correndo, sem saber para onde ir, sem rumo, não sabia se meu ódio era pela traição do meu pai ou pelo descobrimento de que o amor da minha vida seria meu irmão, o homem que eu achei que ficaria comigo pro resto da minha vida era meu irmão.
Cheguei em casa e não sabia como dar a noticia a minha mãe, foi quando comecei a falar e ela me disse que já sabia, que eles já estavam separados faz um tempo e que só estavam esperando eu melhorar a perda de Antonio, para me contarem. Fiquei magoada por terem escondido essa historia de mim, porém aliviada em saber que minha mãe não estava magoada.
Resolvi ir até a casa de Flavio, onde meu pai já tinha se mudado de vez. Chegando lá, entrei com lagrimas nos olhos, não sabia se eu olhava para Flavio com carinho de irmão ou como o meu namorado. Começamos a conversar, todos sabiam da história, Marli e inclusive o Flavio. Meu pai se sentou ao meu lado, pediu desculpas por ele e minha mãe não terem me contado sobre a separação. Eu disse que tudo bem que de um pesadelo eu teria acordado, mas e outro?
Então meu pai se levantou e me apresentou sua filha Mariana de 3 anos e o filho de Marli, que era Flavio, foi então que eu me dei conta que já se passavam 3 anos que meus pais estavam separados, quando aconteceu aquela tragédia e que Flavio não passava de um filho por consideração e não de sangue como eu imaginava.
Fiquei tão aliviada, como se tivessem tirado uma faca de dentro do meu peito e eu e Flavio saímos, fomos para praia onde tudo começou. Ele porém sorriu desse mal entendido e eu acabei rindo também, mas ainda estava magoada, pois tinha descobrindo que meus pais estavam separados á 3 anos e que ele tinha outra família e eu uma irmã.
Graças a Deus tudo acabou bem, nos casamos e resolvemos morar com a minha mãe. Fiquei muito feliz por meus pais terem se tornados amigos, aliás eu filha de Gustavo, me casei com Flavio, seu filho por consideração.
Vivemos bem, nossas famílias se reuniam nos almoços de domingo e Flavio foi admitido em seu emprego, para a felicidade de todos.
E assim vivemos, eu, minha mãe e Flavio na nossa casinha e meu pai com sua atual mulher e minha irmãzinha. Aprendi que a felicidade não vem à hora que a gente quer e sim quanto tem que vir, mesmo que seja com muitos encontros e desencontros, mas o importante é ser feliz.
Tatiane Almeida
Enviado por Tatiane Almeida em 31/12/2005
Código do texto: T92612
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Sobre a autora
Tatiane Almeida
Cubatão - São Paulo - Brasil, 30 anos
4 textos (706 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 06:24)