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Eu e o poetrix

Escrever poetrix é, antes de qualquer coisa, um ato de ousadia. Imagine você que a busca de um bom poetrix consiste em escrever o mínimo de palavras com o máximo de informações, que podem reproduzir momentos de emoção, tristeza, angústia, felicidade, humor e tantas outras sensações, sentimentos que nós vivemos no truculento dia-a-dia.
 
Na arte dos poemas minimalistas, os artigos são quase que dispensáveis, entendo que tiram a sutileza da mensagem que se quer passar, muitas vezes atropelam os versos e enfraquecem o texto. Por outro lado, a pontuação ajuda na configuração do susto, do inesperado. Não é à toa que alguns poetrixtas preferem deixar que, quem os leia, façam a sua pontuação preferida. Tal permissão faz do leitor um aliado especial, principalmente quando ele declama o poema, pois cada um tem a sua própria percepção e inflexão sonora. A pontuação explicita ou não, abre horizontes e pode influenciar os ouvintes para que percorram novos labirintos na interpretação do que está sendo declamado.
 
Uma das minhas preocupações atuais é com a estética do poema. Como ele será apresentado, qual é o efeito visual de sua "imagem" no papel. Este pode ser mais um atrativo para olhos atentos, algo que desperte no leitor o cuidado de quem escreve. Este é, com certeza, mais um complicador para o autor, é mais um limitador no bom sentido. Beto Quelhas, poetrixta de São Paulo, sempre buscou este esmero em seus poemas, mas infelizmente, esse filão não foi seguido por outros poetrixtas, o que é uma pena. Nas vezes em que tentei seguir essa direção, algo me fez caminhar para os concretos, onde a figura que se cria é fundamental, mas esta é uma outra trilha, outra direção.
 
Às vezes me detenho diante de um poetrix por vários minutos (nenhum deles deve ser lido rapidamente); eles não são leituras simplificadas de uma única idéia, nem tão pouco um poema de uma única frase. Quanto menor for o poema, maior será o risco de não lermos o seu todo e ficarmos apenas na leitura literal. Algumas vezes a palavra oferece duplo sentido, isto, quando não expressa um contraponto, “perigosa armadilha” literária.
 
Ainda que tudo isso não bastasse, temos as entrelinhas que escondem os verdadeiros espetáculos, as mais belas imagens, os maiores suspiros. Só o leitor atento consegue ler o que o poeta escreve nas entranhas das palavras.
 
O bom poetrixta é aquele que vê o que todos viram, mas que faz daquilo que vê pela milésima vez, algo novo e belo. Estes são os que detêm o poder da síntese, sem, no entanto, excluir a leveza que o poetrix pede e exige daqueles que aventuram neste novo “jeito” de mostrar a poesia.

Viva a poesia!!!
Pedro Cardoso DF
Enviado por Pedro Cardoso DF em 12/01/2006
Código do texto: T97784
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Pedro Cardoso DF
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 68 anos
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Pedro Cardoso DF