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Vazios espaços







tristes pétalas esvoaçam

de minha alma desfolhada

por suspeições lacerada



onde o jardim que floria?

o lago que me banhava?

a ponte que nos unia

em deleitosa harmonia?



abriram os cadeados

ataram-nos em madeiros

separados

minha mágoa guardo em chaga

a alma ardendo em chispa

coberta agora de cinza

petrificada na areia



derivo sem âncora alguma

sem um cais onde me acolha

sou tão só a peregrina

sem vereda

que a sua cruz carrega

num deserto deambula



desgarrado no restolho

jaze o meu caule tombado



o fogo devora a palha.



Maria Petronilho
Lisboa, 8/7/2004



Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 28/12/2004
Código do texto: T981
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Maria Petronilho
Almada - Setúbal - Portugal, 64 anos
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