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Excertos do tempo

não há um tempo
de dizer as horas
na compreensão intensa
dos momentos
não há um tempo
de demoras
quando se vai levando
a consciência
é que a vida é pouca
nas ausências.

não há um tempo
de discórdias
mas a exata compreensão
ilógica
de que o homem apenas luta
contra a história
não há um tempo
de sofreguidão
pois as horas teimam
em se dizerem não.
é que a emoção é campo
de se ter à mão

não há um tempo
de reformas
a revolução é o único tamanho
dela própria
não há um tempo
de facilidades
a mudança é apenas uma flor
que há-de.
é que os olhos são curtos
para sentirem o infinito
da verdade.

não há um tempo de mares
mas sonhos e navios pelas tardes
não há um tempo de águas
nos homens
há um leve rumor das cachoeiras
em que deságuam.
é que a vida nem sempre
escorre pelas  mágoas.

não há um tempo de poesia
em que se caiba
o poema sempre tamanha
o que lhe invade
é que o discurso do homem
é de uma métrica
ainda tarde
que sobra no peito das gentes
como um sol de alvaiade.
e a vida nunca é completa
por mais que verso haja
pois quando plena
apenas pela palavra
quem preencheria os metros
da fluidez dessas almas?

não há um tempo de poesia
apesar de sua tática
de discursar a coisa em verso
transitada pela alma
como forma mais condizente
de se dizer a palavra.
é que a prosa tem viés
de estranha matemática
que soma verbos e veias
em equações inexatas
que sempre esquecem um pedaço
do que se vai pela alma.

o verso pelo contrário
tem o tamanho da vida
pois sempre tende ao infinito
apesar de tão contido
nas meias dúzias de palavras
que o homem leva consigo
e que é sempre bem maior
que seu próprio sentido.


não há um tempo a desoras
todo tempo é permitido
nas curvas em que se faz da vida
um desacato aos sentidos.
é que o tempo não acata
o que se faz sem seu juízo
pois as horas que lhe são próprias
deságuam na própria vida.
e o homem tem seus minutos
na circunstância não dita
de que é apenas um
numa nave coletiva.

mas há um tempo de necessidades
em que cada um é preciso
desde o resgate dos homens
à medição do infinito
por terem os dois o tamanho
de todos os nossos gritos
Aurélio Aquino
Enviado por Aurélio Aquino em 15/01/2006
Reeditado em 10/09/2009
Código do texto: T99237
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Aurélio Aquino
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 64 anos
375 textos (11648 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 13:30)
Aurélio Aquino

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