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conto erótico 285

(Antes de publicar este conto tenho, tenha(m) calma, ainda estou a escrever... 20 textos eróticos e 30 contos e resolvi meter-me num 31; hoje será conto, amanhã será texto...)

As ideias afloram quando menos as esperamos, estendes as tuas pernas na minha direcção, entreabres e eu vejo o mundo segundo uma nova perspectiva, a fenda perlada de prazer guarda a ostra que me dás a beber e comer.
Os sorrisos demoram o tempo de saborearmos a descoberta do momento que depois é nosso até se tornar tempo e, por um motivo ou outro, algo dum diálogo diferente, ganhamos pressa..., somos de novo presas..., quero dizer... tornamos a sentir necessidade(s).
Não é estranho que assim seja, habituamo-nos a ter hábitos desde sempre. Aos involuntários, das mais variadas naturezas podemos imaginar chamar tiques, nome que hoje daria ao meu conto se ele não dependesse de ti e das tuas pernas.
Quanto tempo me darás para que eu escreva este "conto erótico"? Sei que vai dar para ir buscar, no caso, o bilhete do cinema e uma folha que trazia na algibeira: já volto.
Começo por dois versos escritos às escuras na penumbra da sala de cinema, com a iluminação vinda da projecção na tela:

Sabes, encontro as palavras/
como um lugar onde te procuro

Dos versos a cesura, depois de palavras/
guarda o lugar da sua presença.

Depois do filme, na rua, de pé, escrevendo sobre a carteira
(abraças-me para te aquecer e aqueces-me:):

aquém & além

Sabes porque as palavras nos tocam? Porque nelas encontramos alguém, mesmo que se encontre no além ou tenhamos sido nós no aquém.
Depois apressamos o passo para te deixar em casa. Já só, parei junto ao parque de estacionamento debaixo do mercado, (retenham na memória este momento...) retirei uma folha maior dum bolso interior do peito do casaco e escrevi o fantástico personagem deste conto, com o qual irás fazer amor. Só to contarei no além do amor, quando me tiveres perguntado: - Porque hoje de novo um "conto erótico", nos teus contos? E acrescentarás, já sei "porque todo o conhecimento é erótico", Roland Barthes! E estarás a sorrir de pernas estendida, deitada de lado, agarrada a mim. A ganhar coragem para voltar para casa, onde esta semana ainda terás a companhia dos teus pais.
Está contada a história, a transcrição é uma transgressão ao silêncio. Porque a regra da nossa "ordem" é literal, a literatura como leitura de_vida...

Há... Ah! Esqueci-me de te contar: quando comecei a escrever, ia começar a escrever (... foi aqui, foi junto ao mercado), lembrei-me que o guarda está sempre lá dentro às escuras e lá estava ele. Cumprimentei-o com um ligeiro movimento da cabeça, podendo escutar sem conseguir ouvir o relato de futebol que ele acompanhava.

doente terminal

Há muito que me tornei num sábio, já nada ignoro do Homem nem da vida, a minha curiosidade transformou-se na matéria dos dias e alimenta o tempo a quem dou a comida na boca, como se fosse um doente terminal cuja vida me pertence inteiramente.

E pronto, transformei o sublinhado num título, mais um, deste conto que me vai fazer ganhar um beijo apaixonado e se eu gosto!

{deixei de ler comentários, pelo que agradeço a intenção a quem a tiver ou a praticar; hei-de voltar a lê-los, lerei se alguém os tiver feito;
quer dizer que também vou parar de ler, por uns tempos;
continuarei a escrever... este diário;
perguntamo-nos sempre por motivos, resposta: sem motivos...;
há um motivo..., se não fizermos essa pergunta deixámos de estar;
acabei de ir ver os comentários feitos, até ao momento em que... passo a deixar este comentário;
depois de ler os comentários: vou agradecer e juntar este... comentário... à minha resposta;
porque não: uma razão óbvia... estou sem tempo
[é mesmo uma coisa que não se (de)tem...]

(10.12.06) 
Foto: "continuação", autor desconhecido...
Organizei em pontos e vírgulas este comentário final, trazendo o narrador de seRviço até este conto que passa a integrar a Narrativa Erótica! :) Activa e anedótica...
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=306313}
Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 16/01/2006
Reeditado em 10/12/2006
Código do texto: T99404
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Sobre o autor
Francisco Coimbra
Portugal
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