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odes filosóficas e ditirambos desconexos

o princípio
não inicia
apenas esquece em si
o que havia
e é não sendo
como se permitia
construindo a descontrução
do dia.

e não é por sê-lo
assim avesso
que trai o jeito
de ser começo
mas por se ter a prumo
em desafio
ao eximir-se dos fins
por que se cria.

II

o princípio
é um fim em vão
resta-lhe no tempo
um inteiro não
mas dá-se a futuros
com a mesma simetria
com que a noite inventa
de ser dia.

III

o princípio
não é resposta
antes se tem
como pergunta
de todas as portas
indaga
quando é
o que não sendo
na alma
e resta
no espaço
como adaga
que nem se dissesse lâmina
de cortar a fala

o princípio
medra
como uma ilusão
da pedra
um rastro manso
da matéria

IV

o princípio
tem-se a custo
como desrazão
do discurso
posto em palavras
não transita
uma verdade que se quer
absoluta
é-lhe íntimo
o curso
dos melhores rios
do uso
e acostuma-se
à corrente
como barco definitivo
que aparenta
singrar com jeito
o peito do infinito.
Aurélio Aquino
Enviado por Aurélio Aquino em 17/01/2006
Código do texto: T99838
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Aurélio Aquino
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 64 anos
375 textos (11647 leituras)
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Aurélio Aquino

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