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PRAZERES

Aquele cheiro reacendeu prazeres, que confesso não imaginava ainda te-los. Um cheiro adocicado, beirando ao molhado das peles e corpos umedecidos encharcados de liquido perfumado.  Acre e macio como as doces dobras do corpo de um bebe, selvagem e sensual como o corpo da mais bela huri sobre a Terra. Sensível como as finas membranas das asas de uma borboleta. O cheiro entontece meus sinais de perigo e cautela. E a cima de tudo, certamente, tudo aquilo me divertia. Ir lentamente descobrindo sentidos outros, semelhanças desencontradas entre coisas existentes ou somente pensadas. E eu, ali no meu abandono espero morto de sono o cabaré terminar. O cheiro desandava em sons, em corpos, na pressa da garçonete, na ida e vinda do dinheiro, cheque, cartões de crédito. Confesso que por muito pouco me deixei levar por todo aquele sufoco e assim, sereno e calmo fui deitar sozinho em minha cama sorrindo por ter assim atravessado mais um dia em minha caminhada. Que pensem os homens inodoros, que chamem e gritem os mudos. Este prazer assim redivivo é unicamente sentido por todos os que, sobretudo vivem.


MARIO ORTMAN FERREIRA FILHO

GROTIUS
grotius
Enviado por grotius em 13/11/2007
Código do texto: T736350

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 62 anos
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